Movimento Grevista na USP
Nesta terça-feira, 14 de março, funcionários da Universidade de São Paulo (USP) iniciaram uma greve com o objetivo de reivindicar melhorias salariais e maior equidade entre as diversas categorias de trabalhadores da instituição. O estopim desse movimento foi a recente aprovação de uma gratificação destinada a professores, que promete um pagamento adicional de R$ 4.500 para docentes em regime de contratação exclusiva que desenvolvam projetos em áreas estratégicas para a universidade, como ensino, pesquisa e inovação.
A medida, que obteve o aval do Conselho Universitário no dia 31 de março, prevê pagamentos mensais por até 24 meses, a partir de 2027, e representa um aumento significativo, podendo alcançar até 27,5% para professores em início de carreira, considerando que o salário inicial de um professor doutor na USP é de R$ 16,3 mil. No total, o impacto anual sobre o orçamento da universidade pode atingir R$ 238,44 milhões.
Os manifestantes argumentam que essa gratificação acentua as desigualdades dentro da instituição, uma vez que não foram oferecidas revisões salariais para os demais funcionários. Além disso, cerca de 20% dos docentes em atividade não serão contemplados, assim como todos os professores aposentados e servidores técnico-administrativos, tanto ativos quanto inativos.
O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) ressalta que o propósito da greve não é criar um conflito entre categorias, mas sim buscar a isonomia salarial. “Estamos lutando por equidade e não contra os docentes”, destacou o sindicato em nota divulgada no dia 13 de março. A principal reivindicação é a recomposição das perdas salariais acumuladas desde 2012, estimadas em um reajuste de 14,6%, levando em conta a inflação até janeiro deste ano. O Sintusp também critica a administração da USP por ignorar as solicitações de discussão sobre o tema e considera a gratificação aos docentes como uma “manobra” para desviar a atenção da luta por reajustes fiscais.
A Reitoria e as Reivindicações
Atualmente, a reitoria da USP, sob a gestão de Aluísio Segurado, nomeado pelo governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, enfrenta desafios significativos. Claudionor Brandão, integrante do Sintusp, critica a prática comum da universidade de oferecer gratificações antes das negociações salariais. “É uma estratégia para desviar o foco do que realmente importa para os trabalhadores”, afirmou.
Ainda não há estimativas precisas sobre a adesão à greve, mas a mobilização parece forte, especialmente na capital, com destaque para a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), e também nas unidades de Ribeirão Preto e São Carlos. O primeiro dia de movimento contou com ações de mobilização e uma reunião do comitê de greve para definir as estratégias da paralisação.
Estudantes Também se Mobilizam
Os estudantes da USP também se uniram à greve, reivindicando melhorias em condições estruturais, como habitação digna e alimentação de qualidade nos restaurantes universitários. O Diretório Central dos Estudantes Alexandre Vannucchi Leme (DCE Livre da USP) informou que 105 cursos estão paralisados, incluindo importantes faculdades como Direito e Comunicação e Artes. Na quarta-feira, 15 de março, está programada uma assembleia que pode resultar em uma greve dos estudantes.
Pedro Chiquitti, coordenador-geral do DCE, destacou que a precarização dos serviços oferecidos aos alunos tem se intensificado, com relatos alarmantes sobre a qualidade dos alimentos servidos nos bandejões. “Recebemos denúncias de bandejões com larvas e pedaços de vidro. A qualidade da alimentação está muito aquém do aceitável”, lamentou Chiquitti. A deterioração dos serviços é atribuída à terceirização crescente desde 2016, sob a responsabilidade da Superintendência de Assistência Social (SAS) da USP.
Resposta da USP
Em resposta às críticas, a USP declarou que a ‘valorização de pessoas’ é uma prioridade da gestão Segurado. A universidade citou iniciativas de revisão de planos de desenvolvimento individual (PDI) e anunciou reajustes nos benefícios dos servidores, incluindo um aumento no auxílio-alimentação e no vale-refeição a partir de abril. A expectativa é que, em maio, ocorra um reajuste de 14,3% no auxílio-saúde.
Quanto às queixas sobre os restaurantes universitários, a USP informou que, em 10 de abril, foram realizadas inspeções pela vigilância sanitária e nenhuma irregularidade foi detectada. A universidade também garantiu que as ocorrências têm sido tratadas por nutricionistas e que as empresas responsáveis pelos serviços são regularmente notificadas. “Todos os contratos são renovados seguindo os trâmites legais, conforme exigido pela Procuradoria Geral da USP e pelo Tribunal de Contas do Estado”, finalizou a nota da universidade.

