Nova fase da SIM São Paulo busca integrar música e negócios
De 29 de novembro a 3 de dezembro, São Paulo será palco da primeira edição da SIM São Paulo inteiramente comandada pela Musickeria, do grupo L21, e pela produtora Otorongo. A conferência, agora sob o comando de Luiz Calainho, Coy Freitas e Marcos Passarini, terá o Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, como seu principal centro de atividades, mas se espalhará por outros espaços da cidade. O objetivo é criar um ambiente que reúna música independente, grandes gravadoras, plataformas digitais, produtores, marcas, governos e compradores internacionais, aproximando diferentes setores da indústria musical.
Raiz e ambição: a ideia que nasceu nos anos 1990
Luiz Calainho, que passou parte dos anos 1990 frequentando a SXSW, conferência seminal de música, cultura e tecnologia em Austin, Texas, sempre se questionava por que o Brasil, com sua diversidade musical, não tinha um evento semelhante. A SIM São Paulo, criada em 2013 por Fabiana Batistela, nasceu focada na cena independente e, ao longo dos anos, conquistou espaço como ponto de encontro do setor. Calainho e Freitas se aproximaram do projeto inicialmente como coprodutores antes de decidirem adquirir a conferência em uma parceria igualitária no ano passado.
Do nicho à indústria: conectando fragmentos do mercado da música
A SIM São Paulo mantém seu vínculo com a música independente, mas amplia seu alcance para integrar gravadoras, editoras, empresas de shows, agências de booking, plataformas digitais, escritórios de artistas, marcas e fornecedores. Coy Freitas destaca que o mercado musical é um ecossistema fragmentado, que vai além do artista no palco, envolvendo diversos profissionais e empresas. A conferência oferecerá rodadas de negócios, feira de expositores e encontros entre empresas brasileiras e delegações internacionais de mais de 20 países, posicionando a SIM como porta de entrada para o mercado brasileiro e vitrine para artistas e empresas locais.
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Um mercado bilionário e em expansão
O ecossistema musical brasileiro movimenta cerca de R$ 116 bilhões por ano e emprega aproximadamente 4,3 milhões de pessoas, considerando todos os tipos de trabalho formal e informal, segundo Coy Freitas. Com cerca de 300 mil empresas formais relacionadas ao setor, o mercado cresce sem uma integração completa. A SIM São Paulo busca justamente gerar oportunidades de negócio e relacionamento entre os diversos segmentos, impulsionando o crescimento da indústria da música no país. A expansão dos shows, com artistas capazes de lotar grandes arenas e um calendário intenso de turnês e festivais, reforça a necessidade de fortalecer os bastidores desse mercado.
O Conjunto Nacional como epicentro cultural
O Conjunto Nacional foi escolhido como quartel-general da SIM por fazer parte da estratégia de Calainho de transformar a Avenida Paulista em um polo de cultura e Entretenimento. O complexo já abriga o Teatro YouTube, o Blue Note e o Nubank Art Lab, e agora incorpora a SIM como mais um elemento dessa ocupação. Durante o evento, painéis, rodadas de negócios, showcases e encontros profissionais acontecerão no prédio, enquanto à noite a música ganhará diversos espaços da cidade, aproveitando a característica paulistana de ter música em praticamente todos os dias da semana.
Programação que vai além do palco
A SIM dividirá sua programação entre difusão de conhecimento, negócios, apresentações de novos artistas e diálogo entre indústria e poder público. Além de debates sobre políticas culturais, formação profissional e regulação do setor, o evento terá programas de transformação social e ações em parceria com equipamentos culturais da cidade. Tecnologia, sustentabilidade, comportamento e saúde mental também serão temas explorados, reforçando o papel da música como ferramenta de impacto social e cultural.
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SIM São Paulo: um evento que funciona o ano inteiro
A receita da SIM vem da venda de ingressos, patrocínios, espaços para empresas e atividades de networking. Com categorias que atendem tanto a quem busca conteúdo quanto a profissionais focados em negócios, a organização pretende que a conferência ultrapasse seus cinco dias de duração. Durante o ano, membros da equipe participam de eventos internacionais para atrair empresas, artistas e delegações estrangeiras. A gestão conta com um conselho e profissionais dedicados a áreas estratégicas como relações internacionais, poder público, negócios, apresentações musicais, comunicação e impacto social. A meta é conectar pessoas para fomentar o crescimento da indústria musical brasileira, inspirando-se no modelo da SXSW, mas adaptando-se à realidade local e ao tamanho do mercado nacional.

