Projeto inovador em biorrefinaria paulista
A JetBio, empresa americana controlada pelo grupo Summit Agriculture Group, vai construir uma biorrefinaria em Paulínia, interior de São Paulo, com um investimento de até US$ 2 bilhões. A planta será dedicada à produção de diesel renovável a partir do etanol, utilizando tecnologia avançada licenciada pela Honeywell UOP. Essa decisão levou a empresa a pausar, no ano passado, o desenvolvimento de sua primeira refinaria nos Estados Unidos para concentrar esforços no projeto brasileiro.
O CEO da JetBio, William Moore, destaca a importância do projeto para o Brasil, especialmente para o setor agrícola e do etanol. Ele esteve recentemente em São Paulo para avançar nas negociações com bancos interessados em financiar a iniciativa. Segundo Moore, os próximos seis meses serão decisivos para garantir o sucesso do empreendimento.
Flexibilidade na produção para atender demanda
Inicialmente, a refinaria brasileira tinha como objetivo produzir apenas combustível de aviação sustentável (SAF). Contudo, diante das incertezas do mercado nesse segmento, a empresa decidiu diversificar a produção. A capacidade anual permitirá converter até 1,8 bilhão de litros de etanol em diesel renovável e combustível de aviação, ajustando a produção conforme a demanda do mercado.
Leia também: Produção de Milho em São Paulo Cresce 14% e Ganha Relevância em 2025
Leia também: Avanço da Produção de Biometano em São Paulo: Pilar da Transição Energética
Essa estratégia torna a refinaria a maior compradora individual de etanol no Brasil, superando até mesmo grandes tradings e distribuidoras. A matéria-prima será fornecida pela FS, empresa brasileira com participação majoritária da Summit (43%), além da Amaggi (40%) e outros empresários do agronegócio (17%). A FS não apenas produzirá etanol internamente, como também negociará com 22 fornecedores para abastecer a refinaria, além de ser responsável pela certificação de sustentabilidade do insumo.
Diesel renovável com impacto ambiental significativo
O diesel renovável produzido terá molécula semelhante ao diesel fóssil e ao diesel verde (óleo vegetal hidrotratado), mas diferente do biodiesel, apesar de todos serem fontes renováveis. Moore explica que, ao contrário do biodiesel, o diesel renovável pode ser usado diretamente em motores industriais a diesel, sem necessidade de mistura com outros combustíveis.
Além da praticidade, o novo combustível promete reduzir entre 65% e 95% as emissões de carbono em comparação ao diesel comum. Essa inovação abre um mercado muito maior que o de combustível de aviação, já que o diesel é cinco vezes mais demandado.
Leia também: Biometano em São Paulo: Avanços na Transição Energética Regional
Leia também: Primeira Pá Carregadeira Movida a Etanol é Desenvolvida em Contagem
Fonte: belzontenews.com.br
Abastecimento para setores estratégicos e estrutura financeira
A produção da biorrefinaria será destinada tanto ao mercado interno quanto à exportação, negociada com consumidores finais e tradings. Os setores prioritários incluem o marítimo, mineração, indústria pesada, agricultura e transporte rodoviário pesado — segmentos que dependem intensamente do diesel e enfrentam desafios para eletrificar suas operações.
O investimento de US$ 2 bilhões será financiado por recursos próprios e externos, divididos em partes iguais entre dívida e participação acionária. As negociações com o BNDES começaram em maio e a expectativa é que o banco seja um dos principais investidores, com o acordo previsto para ser fechado até o fim do ano. Também há diálogo com bancos brasileiros, além da possibilidade de captar cerca de US$ 500 milhões através de dívidas nos Estados Unidos.
Moore projeta que a parte financeira do projeto será concluída até março, com a construção da biorrefinaria levando entre 30 e 36 meses. A previsão é que a produção comece no segundo trimestre de 2030, posicionando a unidade como uma das mais complexas do mundo no setor.

