Autorização da Prefeitura para a Escola Concept
Após meses de resistência, a Prefeitura do Rio de Janeiro finalmente cedeu e autorizou o Grupo SEB a ocupar o prédio do antigo Colégio São Paulo, localizado no Arpoador. Com isso, a cidade se prepara para receber a primeira unidade da escola Concept, encerrando uma disputa que envolveu interesses educacionais, imobiliários e turísticos em uma das áreas mais valorizadas da orla carioca.
O imóvel, que por mais de um século abrigou um colégio tradicional da Congregação das Irmãs Angélicas de São Paulo, teve suas atividades encerradas definitivamente em dezembro. Avaliado em aproximadamente R$ 250 milhões, o terreno possui cerca de 3 mil metros quadrados, situando-se em um quadrilátero considerado um dos mais estratégicos do mercado imobiliário carioca.
Para a adaptação do espaço, o Grupo SEB planeja um investimento em torno de R$ 50 milhões. As obras estão previstas para começar assim que todas as licenças sejam liberadas. A abertura de matrículas está projetada para 2026, enquanto as atividades escolares têm previsão de início para 2027. Inicialmente, a unidade da Concept oferecerá turmas de educação infantil e dos primeiros anos do ensino fundamental, com mensalidades que poderão alcançar quase R$ 16 mil.
Encontro de Celebridades e Expectativas para o Futuro
A decisão de liberação foi comemorada em um encontro entre o presidente do Grupo SEB, Chaim Zaher, e as CEOs da Concept, Thamila e Thalita Zaher, com o prefeito Eduardo Paes e o vice-prefeito Eduardo Cavaliere. O grupo já possui unidades da rede em cidades como São Paulo, Ribeirão Preto e Salvador. Em 2025, a escola foi reconhecida pela revista Forbes como a mais premium do Brasil. O Grupo educacional dos Zaher é o maior do país, englobando outras marcas como A a Z e Maple Bear, e atendendo mais de 300 mil alunos com a colaboração de 6.000 professores.
Pressões e a Resistência da Prefeitura
A liberação para a instalação da escola Concept representa uma mudança significativa na posição da Prefeitura. Desde o anúncio do fechamento do colégio católico, a administração de Eduardo Paes havia defendido que o imóvel fosse destinado a um uso turístico, preferencialmente como um hotel de alto padrão, considerando a localização privilegiada e a diminuição da oferta hoteleira na área devido à conversão de antigos hotéis em empreendimentos residenciais.
Antes de chegar a um acordo com o Grupo SEB, o prédio foi avaliado pela rede de restaurantes Rubaiyat, que considerou abrir o seu primeiro hotel de luxo no local, prevendo cerca de 110 quartos, piscina, quadra esportiva e um restaurante. Diversos estudos técnicos foram realizados, inclusive acerca da possibilidade de um retrofit da capela tombada que integra o edifício modernista. Contudo, as negociações não avançaram. O grupo SEB também explorou várias opções em toda a Zona Sul, mas não encontrou alternativas que se igualassem à proposta do antigo Colégio São Paulo.
Locais com características semelhantes, como o antigo Educandário Romão Duarte, pertencente à Santa Casa da Misericórdia, no Flamengo, e o Palacete São Cornélio, na Glória, foram considerados, mas não receberam aprovação para se tornarem uma unidade Concept devido à distância em relação a Ipanema e Leblon.
Em julho, a Prefeitura publicou um decreto restringindo novas licenças no trecho entre a Rua Rainha Elizabeth e a Pedra do Arpoador apenas a empreendimentos hoteleiros e turísticos. Fontes do mercado revelam que o prefeito chegou a considerar a desapropriação do imóvel para assegurar sua destinação ao setor hoteleiro, além de buscar terrenos em Ipanema e Leblon para redirecionar a escola.
A posição da Congregação das Irmãs Angélicas de São Paulo, proprietária do imóvel, foi um fator decisivo. A ordem religiosa sempre defendeu que o espaço mantivesse sua vocação educacional, e a presença da capela tombada foi vista como um entrave relevante para a conversão do local em outras funções.

