Aumento no Resgate de Animais Silvestres na Capital
Na cidade de São Paulo, o número de pedidos para resgate de animais silvestres cresceu 26% nos últimos meses. Saruês, conhecidos como gambás, saguis e até quatis têm sido frequentemente vistos em quintais, ruas e garagens, tornando-se uma visão comum para os moradores, especialmente nas proximidades de áreas verdes. O que antes era apenas uma curiosidade, frequentemente registrada em vídeos nas redes sociais, agora integra o cotidiano de quem vive ou trabalha em contato com a natureza urbana.
Os saruês e os saguis lideram as estatísticas de resgates, mas a lista é ampla e inclui aves silvestres como sabiás e bem-te-vis, além de cobras e capivaras, que buscam abrigo ou alimento em ambientes urbanos. Segundo dados do Centro de Manejo e Conservação de Animais Silvestres (Cemacas), localizado na Zona Norte da capital, o espaço já acolheu, só neste ano, 3.656 saruês, cerca de 1.000 saguis e 14 quatis. Esses números refletem um preocupante aumento na interação entre a fauna silvestre e a urbanização.
Cuidados e Reabilitação dos Animais Resgatados
Após o resgate, os animais são levados ao Cemacas, onde passam por avaliação veterinária. Aqueles que necessitam de cuidados especiais recebem tratamento adequado e, posteriormente, a equipe decide se podem ser devolvidos ao seu habitat natural ou se precisarão de mais tempo para recuperação. Muitos dos animais que chegam ao centro apresentam sinais de desidratação, desorientação ou ferimentos, muitas vezes resultantes de quedas de telhados, choques com fios elétricos ou tentativas de atravessar avenidas movimentadas.
Vanessa Caldera Olivares, coordenadora da clínica veterinária do Cemacas, destaca que, apesar do aumento da conscientização ambiental entre a população, ainda ocorrem equívocos. “Notamos que as pessoas estão mais preocupadas em trazer os animais para atendimento, mas há confusões em relação ao que realmente necessita de socorro. Existem casos de animais que estão tranquilos em seu espaço e não precisam de ajuda. Por outro lado, a expansão urbana continua a invadir áreas que são o habitat natural desses animais”, explica.
Um caso notável atendido no Cemacas envolveu um saruê que chegou ao centro com paralisia nos membros traseiros e ferimentos, provavelmente resultantes de um acidente na cidade. O animal recebeu medicação para controle da dor e está sob acompanhamento veterinário.
Conclusão: O Desafio da Convivência entre Fauna e Urbanização
A crescente interação entre animais silvestres e áreas urbanas de São Paulo revela um desafio significativo. A conscientização sobre a preservação das espécies e o respeito ao seu habitat natural devem ser fortalecido. A cidade, ao crescer, precisa encontrar um equilíbrio que permita a coexistência harmoniosa entre os humanos e a rica biodiversidade que ainda persiste em seu território. O envolvimento da comunidade em ações de preservação e a educação ambiental são fundamentais para garantir um futuro sustentável para todos os seres que compartilham esse espaço.

