Austeridade vs. Políticas Sociais
Luciano Nakabashi, doutor em economia e professor associado da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FEARP/USP), aborda um tema intrigante: a relação entre austeridade fiscal e políticas sociais. Recentemente, o presidente Lula declarou que não se candidatará à reeleição para discutir a situação fiscal do país, enfatizando a necessidade de aumentar os gastos para beneficiar a população mais pobre.
Embora a opinião de Nakabashi diverja em relação à decisão do presidente, ele destaca a importância do segundo ponto. O economista ressalta que o ajuste fiscal não deve ser visto como um antagonista das políticas públicas voltadas à redução da pobreza. Administrar as contas públicas com responsabilidade é crucial para garantir recursos que sustentem essas políticas.
A Experiência do Passado
A discussão sobre gastos públicos como instrumentos de crescimento econômico é uma característica central do pensamento do Partido dos Trabalhadores (PT) e de outras legendas de esquerda no Brasil. Porém, a vasta experiência acumulada pelo presidente em sua trajetória à frente do governo deveria apontá-lo para a importância do equilíbrio fiscal como um pré-requisito essencial para o desenvolvimento econômico do país.
Durante seu primeiro mandato, Lula implementou uma política fiscal responsável que gerou credibilidade e atraiu investimentos. Esse período foi marcado por um crescimento robusto e melhorias na distribuição de renda, uma conquista que acabou sendo comprometida por desequilíbrios posteriores nas contas públicas.
A Confiança do Investidor
Um controle eficaz das contas públicas é fundamental para aumentar a confiança dos investidores, controlar o crescimento da dívida e, assim, reduzir os juros de forma sustentável. Esse aumento de confiança e a diminuição dos juros são essenciais para fomentar investimentos produtivos, estimular a economia e, consequentemente, gerar empregos, especialmente para as camadas mais vulneráveis da população.
Desafios do Envelhecimento da População
Com o acelerado envelhecimento da população brasileira, a pressão sobre os gastos públicos relacionados à saúde e previdência se torna cada vez mais relevante. A discussão sobre o déficit público deve ser uma prioridade. Isso significa que será necessário aumentar a idade de aposentadoria, alterar o tempo de contribuição e desvincular os gastos das receitas, priorizando áreas que realmente importam para o país. Assim, será possível destinar verbas para políticas de redução da pobreza, que são urgentes e necessárias.
Reduzindo a Pobreza e Desenvolvendo o País
Para explorar plenamente o potencial do Brasil, é crucial reduzir a pobreza. Crianças que nascem em famílias carentes frequentemente enfrentam falta de acompanhamento adequado e investimentos, além de viver em ambientes pouco favoráveis ao seu desenvolvimento emocional. Isso impacta negativamente na formação de seu capital humano e emocional.
Se conseguirmos reduzir a pobreza, oferecendo suporte psicológico às famílias vulneráveis e acesso a escolas de qualidade, estaremos preparando indivíduos mais produtivos. Essa mudança poderá resultar em uma maior geração de renda e um Brasil mais desenvolvido economicamente, socialmente e culturalmente.
A Classe Média e o Desenvolvimento Sustentável
Uma das grandes disparidades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento é a composição de suas classes médias. Nos países desenvolvidos, a classe média é predominante, enquanto no Brasil, a proporção de pessoas com acesso adequado a alimentação, moradia, transporte, saúde, educação e lazer é limitada. Reduzir a pobreza e expandir a classe média nos aproximará aos padrões dos países desenvolvidos.
O Impacto do Controle Fiscal
Entretanto, para implementar com sucesso tais políticas, é imperativo que o governo tenha recursos disponíveis e que a economia esteja em crescimento, gerando emprego, renda e receita. Para isso, o controle dos gastos públicos é vital, pois um aumento excessivo na carga tributária pode ser prejudicial ao crescimento econômico do Brasil.
Portanto, a discussão sobre o déficit fiscal é fundamental. Se ignorada, a economia pode enfrentar sérios problemas, resultando em baixa geração de emprego e renda, com a população mais pobre sendo a mais afetada nesse cenário.

