Eliene conta sobre suas cirurgias e o impacto da tragédia
Desde o dia 1º de janeiro, quando sofreu um grave atropelamento junto de seu filho, Eliene de Santana Maia, de 33 anos, passa por um processo doloroso de recuperação no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, em São Paulo. Após ter sido submetida a duas cirurgias, a mulher continua internada, sem previsão de alta. O menino, Guilherme da Silva Maia, de apenas 6 anos, não resistiu aos ferimentos e faleceu no dia 4 de janeiro.
O acidente ocorreu em um trecho de acesso à Rodovia José Fregonezi, no distrito de Bonfim Paulista, quando ambos caminhavam pelo acostamento. Imagens de câmeras de segurança mostraram o momento em que o carro, dirigido pelo cantor Gustavo Perissoto de Oliveira, invadiu a pista e os atingiu pelas costas. Após o impacto, o motorista fugiu, mas se apresentou à polícia no dia seguinte.
Na última terça-feira (6), Eliene compartilhou sua experiência em um vídeo gravado para a EPTV, afiliada da TV Globo. Ela relatou os procedimentos cirúrgicos que realizou: “Fiz cirurgia no braço e na bacia, pois quebrei a bacia. Não sei se vou precisar de outra cirurgia. No pé esquerdo, fiz tomografia ontem e aguardo a avaliação médica”, disse.
A recuperação dela tem sido difícil, pois ela se encontra com os membros superiores e inferiores engessados, além de ter recebido pinos na bacia. A expectativa é que, caso necessário, ela passe por uma terceira cirurgia. O marido, Albertino da Silva Filho, tem estado ao seu lado, buscando força e clamando por justiça pela morte do filho. “Ele será julgado. Eu não vou parar, não vou desistir. Tenho fé em Deus de que ele será responsabilizado pelo crime que cometeu”, declarou Albertino.
O motorista se apresenta e nega ter consumido álcool
Gustavo, de 25 anos, se apresentou à polícia no dia seguinte ao acidente, onde negou ter consumido bebidas alcoólicas antes de dirigir. No entanto, alegou ter se distraído com a central multimídia do carro alugado. “Ele afirmou que estava transitando normalmente pela rodovia, mas em um momento se distraiu e não percebeu o impacto. Ao olhar pelo espelho retrovisor, achou que havia batido no guard-rail e continuou seu caminho”, explicou Ariovaldo Torrieri, delegado do 7º Distrito Policial.
Testemunhas afirmam que, após o atropelamento, o cantor não teve qualquer reação de ajuda às vítimas. Marcelo Santos, um frentista de um posto de combustível próximo ao local do incidente, relatou que alguns clientes tentaram alertar o motorista. “Ele olhou para o lado, mas não demonstrou intenção de parar ou entender a gravidade do que havia acontecido”, afirmou.
Outro frentista, Paulo Sérgio Peres, confirmou que muitos presentes no posto gritaram para tentar chamar a atenção de Gustavo, mas ele seguiu em frente, pegando uma rua na contramão. “Se quisesse, ele teria parado, mas simplesmente foi embora”, disse Paulo. Gustavo é investigado por homicídio culposo, onde a intenção de matar não é comprovada, mas foi liberado por falta de base legal para a prisão. A Polícia Civil deu início ao interrogatório das primeiras testemunhas.
A repercussão do atropelamento
O trágico atropelamento, registrado por câmeras de segurança, ocorreu no dia 1º de janeiro e chocou a comunidade local. Enquanto Eliene permanece internada com fraturas graves, Guilherme chegou a ser tratado em estado crítico no Centro de Terapia Intensiva Pediátrica e, infelizmente, faleceu devido aos ferimentos.
Com a crescente preocupação sobre a segurança nas estradas e a responsabilidade dos motoristas, o caso de Eliene e Guilherme ressalta a urgência de ações mais efetivas para prevenir tragédias como essa. O luto da família e a luta por justiça devem servir como um alerta para todos sobre a importância da atenção e do respeito no trânsito.

