Busca por um Nome Consensual
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência tem gerado movimentações na política do Rio de Janeiro, especialmente em relação ao comando do estado. Embora o nome do chefe da Polícia Civil, Felipe Curi, seja o favorito de Flávio, o secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL), tem se destacado como uma opção mais consensual entre diferentes setores políticos. Com apenas 36 anos, Ruas, que é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), lidera uma pasta com considerável influência em todo o estado.
No entanto, pessoas próximas ao político acreditam que Ruas poderia enfrentar riscos ao entrar na disputa. Isso porque ele almeja uma cadeira na presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) no próximo biênio. Com Eduardo Paes (PSD) como forte concorrente, a decisão de se candidatar a governador poderia custar-lhe um novo mandato.
Desafios para o Governador e Seus Aliados
Além de Ruas, outras alternativas como Curi ou até mesmo um candidato outsider estão sendo consideradas, porém nenhum deles parece mobilizar o apoio necessário do Centrão, grupos que possuem uma base sólida no estado e que são cruciais para facilitar a vida política de Paes.
Enquanto isso, o atual governador, Cláudio Castro, tem planos de candidatar-se ao Senado e deve deixar seu cargo no início de abril, em conformidade com prazos legais. Isso levanta a necessidade de pensar em uma nova eleição para um mandato-tampão na Alerj, depois que o vice-governador Thiago Pampolha foi nomeado para o Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Opções para o Mandato-Tampão
O nome que está ganhando destaque para essa posição temporária é o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione. Com uma trajetória ligada ao Banco do Nordeste e sem experiência anterior em disputas eleitorais, Miccione é visto como um profissional técnico, apto a lidar com os desafios que um mandato de nove meses impõe. O cenário econômico do Rio, que enfrenta um déficit previsto de R$ 19 bilhões até 2026, requer uma abordagem rigorosa, com cortes de gastos e políticas impopulares.
A decisão de escolher um nome com perfil técnico para o tampão é estratégica; de acordo com fontes próximas ao governador, não seria prudente selecionar alguém que visasse uma reeleição logo em seguida.
Contrapontos e Pressões no Cenário Político
Entretanto, há setores que sustentam que o candidato a ser escolhido para o mandato-tampão poderia, em um segundo momento, ser lançado como candidato na eleição direta. Essa estratégia possibilitaria o uso da máquina pública para potencializar sua performance eleitoral. A escolha por Miccione, por sua vez, se alinha a um acordo de “ganha-ganha” entre Castro e Paes, visto que ele é um aliado de confiança do governador e garante ao prefeito um adversário menos forte nas eleições de outubro.
A Insatisfação na Direita e no Centrão
O rearranjo entre a direita e o Centrão ocorre em meio a um descontentamento crescente de alguns dos principais dirigentes em relação a Paes. O principal argumento é que o prefeito demonstra resistência em abrir mão de posições estratégicas para outras siglas. Em contraste, alguns observadores acreditam que a pressão por garantias exageradas é prematura, e que essas novas alianças visam pressionar Paes a fornecer mais espaços na chapa e no futuro governo.
Possíveis Candidatos a Vice
Um dos políticos que tem sido apontado como ideal para integrar a chapa é Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu e membro do PP. Recentemente, Lisboa tem sido cogitado como parceiro de coligação na candidatura de Douglas Ruas. Ao mesmo tempo, Wladimir Garotinho, prefeito de Campos dos Goytacazes e também do PP, tem manifestado interesse pelo cargo, mantendo diálogos frequentes com o prefeito da capital. Essa possibilidade já foi discutida por Paes, mesmo após uma recente troca de farpas nas redes sociais com Anthony Garotinho, pai de Wladimir.

