MinC Reforça a Relevância Cultural da Lavagem do Bonfim
A Lavagem do Bonfim, uma das mais significativas celebrações culturais e religiosas da Bahia, atraiu uma multidão de fiéis e turistas na última quinta-feira (15), em Salvador. Este ano, o Ministério da Cultura (MinC) deu um passo importante ao introduzir seu cortejo durante a festividade, ressaltando a dimensão cultural dessa manifestante.
O percurso teve início na Basílica Santuário Nossa Senhora da Conceição da Praia, localizada na região do Comércio, e seguiu em direção à Basílica Santuário Senhor Bom Jesus do Bonfim, onde ocorreu a tradicional lavagem das escadarias na Colina Sagrada.
“Acredito que essa caminhada de fé simboliza a união das pessoas, reunindo indivíduos de várias partes do Brasil. Esta procissão é, sem dúvida, um patrimônio cultural do nosso país. Estamos aqui para ressaltar e celebrar essa vitória, que também pertence ao povo baiano”, afirmou a ministra da Cultura, Margareth Menezes.
O cortejo do MinC foi acompanhado pelo grupo de arte popular A Pombagem e pela banda afropop A Mulherada, ambas se apresentando ao longo do trajeto de aproximadamente sete quilômetros, com a distribuição de fitinhas como símbolo de fé e festividade.
Na abertura do cortejo, uma faixa destacava a frase “Lavagem do Bonfim É Cultura”, que simbolizava a participação do Ministério na celebração. Outros estandartes traziam mensagens como “Bonfim, Patrimônio Cultural do Brasil” e “Cultura do Lado do Povo Brasileiro”.
A Festividade como Símbolo de Identidade Cultural
“Esta festa representa o início do ano na Bahia e em todo o Brasil. É um dia de gratidão e celebração”, declarou Maria Marighella, presidenta da Fundação Nacional de Artes (Funarte).
João Jorge, presidente da Fundação Cultural Palmares, enfatizou a relevância da Lavagem do Bonfim. “Esse evento reflete o espírito da cultura popular brasileira. É uma festa que nos enche de orgulho”, comentou.
Além das autoridades do MinC, estiveram presentes a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; os presidentes das fundações culturais e a secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura, Roberta Martins, que se uniram ao cortejo.
Após um ecumênico culto na Basílica Nossa Senhora da Conceição da Praia, a procissão seguiu com a participação do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, do prefeito de Salvador, Bruno Reis, e do secretário de Cultura do Estado, Bruno Monteiro, além de diversas autoridades do Executivo e do Legislativo.
Um Centenário de Tradição e Sincretismo
A celebração de 2026 será ainda mais especial, marcada pelos 281 anos da chegada da imagem de Cristo crucificado à capital baiana. O tema deste ano será “O Exercício do Ministério Público de Jesus, o Amado Senhor do Bonfim”. Este evento, que é um exemplo de sincretismo religioso, reúne católicos devotos do Nosso Senhor do Bonfim e adeptos do candomblé, que reverenciam Oxalá, todos vestidos de branco.
Reconhecida como Patrimônio Imaterial Nacional desde 2014 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Lavagem do Bonfim ocorre sempre na quinta-feira que precede o segundo domingo após o Dia de Reis. Esta tradição é um reflexo da rica diversidade religiosa e cultural que caracteriza a Bahia e o Brasil, misturando elementos da fé católica e do candomblé.

