Desafios Imediatos no Comando do Tricolor
Harry Massis, empresário de 80 anos, assume interinamente a presidência do São Paulo após a saída de Julio Casares. A missão não é simples. Ele se depara com um clube em meio a uma crise financeira e política, necessitando de uma reestruturação que vise restaurar a paz interna e a competitividade no cenário esportivo.
Conforme informações obtidas pela reportagem do ge, na noite da última sexta-feira, Massis começou a se reunir informalmente com figuras influentes do clube, discutindo possíveis direções para futuras diretorias. Em seu discurso após a apuração das urnas, ele enfatizou seu compromisso com a pacificação do ambiente, que atualmente se encontra conturbado por conflitos internos.
Visões Divergentes para o Futuro do São Paulo
Os conselheiros do Tricolor mostram-se divididos acerca do rumo a ser tomado. Enquanto uma parte defende uma reformulação abrangente em todos os setores, outros acreditam que Massis não romperá completamente com os aliados de Julio Casares, mantendo uma continuidade nas relações administrativas.
Flávio Marques, conselheiro que se destacou na oposição nos últimos anos, expressou a urgência de uma reestruturação administrativa que possa revitalizar o São Paulo. Ele afirmou: “Antes de pensar em nomes, é essencial focar nos princípios e processos que devem guiar a gestão. Os nomes são secundários.”
Colaboração e Ética na Nova Gestão
Com a conclusão da sindicância relacionada ao escândalo dos camarotes, espera-se que Massis colabore com os procedimentos internos e endosse possíveis punições no Conselho de Ética para aqueles que forem encontrados culpados. A transparência e a responsabilização são essenciais para restaurar a confiança no clube.
Diretoria e Reestruturação do Futebol
A posição de diretor de futebol, que ficou em aberto após o afastamento de Carlos Belmonte no final do ano passado, é um dos cargos mais disputados na nova gestão. Desde então, o departamento vem sendo administrado pelo executivo Rui Costa, mas a carência de uma liderança política é evidente.
A montagem de uma equipe competitiva é um dos maiores desafios que Massis enfrenta. O clube, que viu uma redução nas contratações durante a janela de transferências, sofreu com a recusa de jogadores em se juntar ao Tricolor, reflexo direto da crise financeira e do tumulto administrativo. A expectativa é que, com a estabilização da política interna, as negociações possam avançar.
A Crise Financeira como Principal Obstáculo
A maior barreira que Massis precisa transpor é a grave crise financeira do clube. Com uma dívida que se aproxima da marca de um bilhão, o Tricolor deve avaliar brevemente suas contas de 2025, que apresentaram uma leve redução na dívida. A meta é atingir uma receita de R$ 931,8 milhões até 2026, com Massis dando continuidade a projetos já iniciados por Casares, porém também buscando novas formas de incrementar a receita.
Os problemas recorrentes de fluxo de caixa resultaram em duas proibições de transferências durante a gestão passada, devido a pagamentos pendentes. Além disso, a insatisfação é crescente entre os jogadores, que enfrentam constantes atrasos nos direitos de imagem, causando tensões com seus representantes.
Em um momento decisivo para o futuro do São Paulo, Harry Massis precisa encontrar um equilíbrio entre a pacificação política e a reestruturação financeira. O sucesso de sua gestão pode ditar não apenas a recuperação do clube, mas também seu retorno ao protagonismo no cenário nacional.

