Uma Trajetória Dedicada ao Ensino e à Educação Pública
Elmir de Almeida, filho mais velho de um casal de operários, cresceu em uma família simples em São Paulo, onde o estímulo ao aprendizado e ao amor pelos livros sempre fez parte do cotidiano. Seus pais, fervorosamente religiosos, alfabetizaram os quatro filhos em casa utilizando a Bíblia como principal recurso. “A leitura da Bíblia era uma rotina na nossa casa e foi assim que começamos a aprender a ler”, relembra Lígia de Almeida Hernandes, psicóloga e irmã de Elmir.
Graças ao incentivo familiar, Elmir tomou uma decisão que moldaria sua trajetória: ingressar no curso de pedagogia da Universidade de São Paulo (USP). Aos 24 anos, ao ser aprovado, ele compartilhava com seus familiares que aquele feito era tão grandioso quanto conquistar um lugar no pódio olímpico.
Após se formar, Elmir atuou como professor, mas suas experiências profissionais em instituições de renome mudaram sua perspectiva. Ele trabalhou com a antropóloga Ruth Cardoso no Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e integrou a equipe do educador Paulo Freire, quando este ocupou o cargo de secretário municipal de Educação durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, à época no PT.
“Ele sempre falava com carinho e gratidão sobre essas experiências e o quanto aprendeu com essas figuras inspiradoras. Embora não tivesse trabalhado diretamente com Paulo Freire, Elmir difundiu suas ideias entre alunos e amigos”, ressalta Elaine Assolini, professora da FFCLRP-USP (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto).
Em 2004, Elmir conquistou uma vaga no concurso para docente do Departamento de Educação da FFCLRP e se mudou para Ribeirão Preto (SP). Ao longo dos 21 anos em que lecionou na universidade, ele impactou a vida de milhares de alunos, orientou diversas pesquisas e se dedicou a ajudar muitos jovens a concluírem seus estudos.
“Ele não media esforços para auxiliar ninguém, seja um familiar, amigo ou conhecido. Com seus alunos, fazia questão de proporcionar apoio para que não abandonassem os estudos. Ele ajudava a encontrar empregos, oferecia assistência financeira e sempre dava conselhos. Sua prioridade era garantir que ninguém deixasse a universidade”, compartilha a irmã Lígia.
Elmir também se destacou na defesa da educação pública e de uma escola democrática. “Ele lutou incansavelmente pela causa. Sempre que surgia uma nova legislação que ameaçava desmantelar as conquistas da educação pública, lá estava ele pronto para enfrentar os desafios”, recorda Elaine.
Com uma carreira dedicada ao estudo das relações entre juventude, educação e cultura, Elmir tornou-se uma referência nacional em sua área de atuação. Ele faleceu aos 68 anos, no dia 10 de dezembro, após passar 52 dias internado devido a um AVC. Sua partida deixa um legado inestimável, além de irmãos Eneas, Hamilton e Lígia, cinco sobrinhos, seis sobrinhos-netos e um vasto número de alunos e amigos que tiveram suas vidas tocadas por seu comprometimento e dedicação.

