Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes em Alerta
O delegado Diógenes Santiago de Netto, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) em Ribeirão Preto, São Paulo, está preocupado com o crescente uso de motoristas e motociclistas de aplicativos para a entrega de drogas na região. Recentemente, prisões realizadas na cidade evidenciam essa tendência alarmante. Um caso emblemático ocorreu em 6 de janeiro, quando um entregador foi detido com 36 tijolos de maconha em sua residência, localizada no Jardim Piratininga, na área da Vila Virgínia.
O suspeito, cuja identidade não foi revelada, trabalhava, aparentemente, entregando marmitas em um restaurante do Jardim Paulista. Ele foi abordado durante seu expediente, fruto de meses de investigações por parte das autoridades. “Temos notado um aumento na demanda por motoristas e motociclistas que realizam entregas de drogas, tanto para usuários finais quanto para o transporte de grandes quantidades”, ressaltou o delegado Diógenes.
Durante as investigações que culminaram na prisão do acusado, a polícia observou que as entregas de entorpecentes ocorreram nas proximidades da casa do entregador, sugerindo uma prática que evita deslocamentos longos pela cidade com cargas significativas.
Investigação e Denúncias Anônimas
Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, o delegado confirmou que a polícia chegou até o suspeito após uma denúncia anônima. “Estávamos acompanhando um motoboy que fazia entregas na cidade, de marmitas e outros produtos. Ele já era monitorado por suspeitas de envolvimento com a entrega de drogas e possui antecedentes criminais por tráfico”, explicou Diógenes.
Ao ser questionado, o suspeito confessou que enfrentava dificuldades financeiras e, em busca de uma solução rápida para suas finanças, decidiu armazenar e entregar drogas. A prisão ocorreu em um momento crítico, colocando em evidência a vulnerabilidade de indivíduos em situações financeiras complicadas que, por vezes, veem o crime como uma alternativa.
Além deste caso, a Polícia Civil também prendeu, em dezembro, dois homens envolvidos em um esquema de venda de drogas pelas redes sociais. Os indivíduos operavam um serviço de delivery, apresentando uma tabela de preços, variedade de drogas e horários programados para entrega, atendendo assim à demanda de moradores na região de Ribeirão Preto.
Dois Casos, Destinos Diferentes
O delegado Diógenes enfatizou que, embora ambos os casos tenham semelhanças, a droga vendida possuía destinos distintos. No primeiro caso, o produto tinha como alvo o usuário final, enquanto a investigação mais ampla revelava que a entrega de drogas estava sendo feita para outros traficantes. “Um traficante maior utilizava um motoboy para realizar a entrega de drogas a traficantes menores”, esclareceu.
Essas descobertas demonstram como as redes de tráfico estão se adaptando e utilizando tecnologias contemporâneas, como aplicativos de entregas, para facilitar suas operações. A polícia, por sua vez, se mantém em alerta e continua a intensificar suas investigações para combater esse fenômeno crescente.

