Entendendo a Cibercondria
A busca por informações sobre saúde na internet tornou-se uma prática comum entre os brasileiros. Contudo, esse comportamento pode não ser tão inocente quanto parece. Juan G. Castilla, psicólogo e consultor de saúde pública do Colégio Oficial de Psicólogos de Madri, explica em entrevista ao site CuídatePlus que, embora muitas vezes a informação encontrada seja tranquilizadora, as preocupações que surgem do acesso à internet podem ser infundadas.
A diferença crucial entre uma preocupação saudável e a cibercondria está na intensidade e persistência dessa busca obsessiva. Segundo Castilla, enquanto preocupações normais são pontuais e razoáveis, a cibercondria se manifesta de forma repetitiva e obsessiva, gerando mais ansiedade do que alívio. Isso se deve, em grande parte, a uma necessidade psicológica de controle, levando os indivíduos a acreditarem que ter mais informações os tornará menos vulneráveis.
O Impacto do Acesso Rápido à Informação
“Vivemos em uma sociedade que valoriza a rapidez”, observa o psicólogo. Essa urgência em obter respostas imediatas pode reforçar o comportamento de busca incessante, criando uma falsa sensação de estar mais bem informado do que os outros. Entretanto, essa busca nem sempre resulta em alívio, podendo intensificar o sofrimento emocional, especialmente quando a informação consultada não provém de fontes confiáveis.
“Frequentemente, as pessoas buscam informações de maneira compulsiva, sem a devida cautela”, alerta Castilla. Essa falta de rigor na busca pode levar a diagnósticos errôneos e a um estado elevado de ansiedade.
Sinais de Alerta da Cibercondria
Os sinais de cibercondria podem variar em intensidade e frequência, mas geralmente incluem:
- Busca obsessiva por sintomas ou doenças em mecanismos de busca e fóruns médicos;
- Catastrofização dos resultados, como associar dores comuns a doenças graves;
- Aumento da ansiedade após a leitura de informações de saúde.
Adicionalmente, a desconfiança em relação a médicos e profissionais de saúde é um fenômeno comum entre aqueles que sofrem de cibercondria. Muitas vezes, essas pessoas buscam constantemente segundas opiniões e têm dificuldades em aceitar diagnósticos médicos, permitindo que pensamentos relacionados à saúde, bem-estar e até mesmo a morte interfiram em sua vida cotidiana.
Como Lidar com a Cibercondria
Segundo Castilla, o primeiro passo para enfrentar a cibercondria é avaliar se realmente existe um problema de saúde. “Se você apresenta sintomas, deve procurar um médico, que será capaz de realizar os exames necessários, diagnosticar e prescrever o tratamento adequado. Esse processo sempre foi eficaz”, enfatiza o especialista.
No entanto, quando a busca por informações médicas se torna uma obsessão e afeta negativamente a vida do indivíduo, é fundamental buscar a ajuda de um psicólogo. Somente um profissional poderá adaptar a terapia às necessidades específicas de cada paciente, avaliando níveis de ansiedade e sintomas associados à cibercondria.
Entender os limites e a importância da informação é crucial. Buscar esclarecimentos sobre saúde é válido, mas é preciso fazê-lo com consciência, evitando que isso se transforme em uma fonte de angústia e sofrimento desnecessário.

