Restauração da Catedral Metropolitana de São Sebastião
Prevista para ser completamente restaurada em quatro anos, a Catedral Metropolitana de São Sebastião, localizada em Ribeirão Preto (SP), está em processo de recuperação desde 1º de dezembro do ano passado. O pároco da igreja, padre Francisco Jaber Zanardo Moussa, acredita que a obra é essencial para preservar a estrutura do prédio centenário, que tem mostrado sinais de desgaste ao longo dos anos. No momento, os esforços estão concentrados na base da catedral, com a primeira fase da obra programada para durar pelo menos um ano.
De acordo com o padre Chico, a fase inicial envolve a realização de ajustes no terreno sob a igreja, colocando suportes para permitir a continuação da obra de fundação. Ele detalhou: “Estamos lidando com a base e, pelo que observamos até agora, essa parte deverá ser finalizada em cerca de um ano”.
No dia 19 de dezembro, as atividades precisaram ser suspensas temporariamente devido à detecção de movimentações na estrutura da torre, que agravaram as rachaduras pré-existentes. Apesar disso, a tradicional Missa do Galo pôde ser celebrada no centro social da paróquia.
Atividades Religiosas Continuarão Durante as Obras
A Catedral de São Sebastião reabriu suas portas no dia 6 de janeiro deste ano e, segundo o pároco, não deve fechar novamente ao longo do processo de restauração. O planejamento inclui a realização das missas de Páscoa, um dos momentos mais significativos para os fiéis, no próprio templo, mesmo em meio às obras.
“As atividades da igreja seguem normalmente e as obras não interferem no uso do espaço pelos frequentadores. Estamos em fase de fechamento do orçamento para a troca do telhado, que deverá começar após o período de chuvas, em abril”. As atividades religiosas são uma prioridade, e a comunidade continua a se reunir em celebrações litúrgicas.
No próximo dia 20 de janeiro, quando se comemora o Dia de São Sebastião, estão programadas três missas em agradecimento ao padroeiro da cidade: às 7h30, 12h e 18h30, sendo que esta última contará com uma procissão. Às 16h30, os fiéis têm a oportunidade de participar da adoração ao Santíssimo Sacramento, consolidando assim a relação da comunidade com sua igreja mesmo em tempos de desafios estruturais.
Um Patrimônio Histórico em Risco
A Catedral Metropolitana de São Sebastião, situada na Rua Florêncio de Abreu, é um dos ícones de Ribeirão Preto e um importante patrimônio cultural e religioso. Construída no início do século 20, a edificação apresenta características construtivas diferentes das atuais, sendo erguida sobre pedras mais largas em vez de vigas mais profundas, o que a torna vulnerável a rachaduras, especialmente devido ao desgaste causado pelo tempo e pelo desenvolvimento urbano ao redor.
Para reverter essa situação de fragilidade, o projeto de restauração contempla uma intervenção complexa nas fundações do templo. Essa primeira fase do restauro tem um custo estimado de R$ 2 milhões, de um total previsto de R$ 14 milhões para a recuperação integral da catedral.
Projetada pelo arquiteto sueco Carlos Ekman, a catedral foi construída entre 1904 e 1918 em um estilo neogótico, sendo erguida com o apoio da comunidade local. Ao longo dos anos, ganhou embelezamentos artísticos, como as pinturas do artista Benedito Calixto, que retratam a vida de São Sebastião, e a cúpula decorada por Nicolau Biagini. Em 1958, a catedral foi elevada à condição de Arquidiocese de Ribeirão Preto, abrigando paróquias de 20 cidades da região. Desde 2009, o prédio é tombado pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural de Ribeirão Preto (Conpacc) e, em 2014, pelo Condephaat.
A História de São Sebastião
A figura de São Sebastião transcende as barreiras do tempo e continua a ser um símbolo de fé e resistência. Nascido na França, ele foi um soldado romano e um fervoroso defensor da fé cristã, características que o levaram a ser perseguido pelo imperador Diocleciano, uma figura notoriamente cruel.
Após uma série de torturas, incluindo a execução por flechas, Sebastião foi resgatado por uma mulher que cuidou dele. Recuperado, ele voltou a defender sua fé e foi novamente atacado, desta vez com bolas de chumbo, levando à sua morte. O primeiro milagre atribuído a ele ocorreu quando seu corpo foi levado a Roma durante uma epidemia, trazendo cura e recuperação às terras afetadas.

