Análise do Cenário Atual e Suas Implicações
Escrevo este artigo como um profissional que vivencia o agro diariamente, aprendendo com as experiências das gerações anteriores que moldaram minha visão do setor. Meu avô, um humilde viticultor português, e meu pai, que desenvolveu projetos de irrigação e cultivo no cerrado, deixaram legados inestimáveis que enfatizam a importância da agricultura para a nossa nação. Como diz o ditado, sem o campo não há pão, e sem pão não há liberdade.
Entretanto, é com apreensão que observo os rumos das políticas públicas voltadas para o agro no Brasil. Novas diretrizes, influenciadas por ideologias questionáveis, parecem ameaçar a nossa soberania produtiva e tentam demonizar o produtor rural. Diante desse cenário, é imprescindível que haja uma mobilização consciente dos profissionais do campo para defender o agronegócio nacional.
O Legado do Agro Brasileiro: Conquistas e Lições
Nos últimos anos, o agronegócio brasileiro se consolidou como um pilar fundamental da nossa economia. Durante o governo Bolsonaro (2019–2022), assistimos a colheitas recordes e a uma expansão significativa nos mercados, graças a políticas que priorizavam a produção. Em 2022, as exportações do setor agropecuário alcançaram a marca histórica de US$ 159,1 bilhões, com um crescimento de 32% em relação ao ano anterior, resultando no maior superávit comercial já registrado: US$ 141,8 bilhões.
O agronegócio representou cerca de 29% do PIB nacional e mais de 40% das exportações brasileiras, alimentando mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo e gerando aproximadamente 20 milhões de empregos. Esses dados refletem a força de um setor que investe em tecnologia e excelência.
Além dos números, é necessário ressaltar a importância da segurança no campo e do respeito ao direito de propriedade. Entre 2019 e 2022, as invasões de terras caíram para níveis historicamente baixos, com apenas 28 casos registrados em quatro anos. Para efeito de comparação, durante os oito anos de governo Lula, foram quase 2 mil invasões. Essa redução é resultado de ações assertivas, como a possibilidade de armamento para os proprietários rurais e a descontinuação de verbas destinadas a grupos que frequentemente fomentavam conflitos.
Adicionalmente, o governo anterior implementou uma política agrária que priorizava a entrega de títulos de propriedade aos pequenos produtores. Enquanto na gestão petista foram concedidos 275 mil títulos em 14 anos, o governo Bolsonaro entregou 420 mil títulos em apenas quatro anos, permitindo que muitos agricultores acessassem crédito e fizessem investimentos.
Os Efeitos das Novas Diretrizes Federais
O que se observa atualmente, no entanto, é uma mudança preocupante nas políticas públicas. O novo governo, alinhando-se a uma ideologia que muitas vezes contraria os interesses do agronegócio, tem promovido uma série de medidas que prejudicam a liberdade econômica no campo. Discursos oficiais que demonizam o setor agro e uma leniência com movimentos de invasão de terras voltaram a ser comuns.
Nos primeiros meses da atual gestão, já foram registradas mais invasões de propriedades rurais do que em todo o período de quatro anos de governo anterior. O MST e outros grupos têm liderado essas ações, o que gera um clima de insegurança para os produtores. Além disso, a falta de apoio e proteção aos agricultores tem sido notória, enquanto os invasores têm recebido suporte e atenção do governo.
A retórica do governo também tem utilizado a questão ambiental como um pretexto para restringir a atividade agropecuária. Propostas extremas que visam proibir defensivos químicos e tecnologias essenciais para a produção estão sendo debatidas, sem a devida consideração das evidências científicas que sustentam a prática agrícola.
Aprendizados de Outras Nações e o Caminho a Seguir
O Brasil pode aprender com a experiência de países vizinhos como a Argentina, onde políticas ideológicas prejudiciais levaram a uma queda drástica da competitividade do agro. O novo governo de Javier Milei demonstrou que, ao reduzir a intervenção estatal e apoiar o produtor, é possível reverter um cenário de decadência econômica e devolver a dignidade ao agricultor.
A Venezuela é um exemplo extremo de como o controle estatal sobre a agricultura pode levar à ruína. O país, que já foi um grande produtor, agora enfrenta uma crise alimentar devido à estatização e à expropriação de propriedades. O Brasil precisa tomar cuidado para não trilhar esse mesmo caminho, evitando políticas que coloquem em risco a sua soberania alimentar.
Por isso, a resposta necessária é clara: uma mobilização política consciente e efetiva por parte dos agricultores. O setor deve estar disposto a participar ativamente do debate político, defendendo seus interesses e se organizando para enfrentar os desafios impostos pelas novas diretrizes governamentais.
Mobilização e Conscientização: O Futuro do Agro Brasileiro
A consciência política e a união entre produtores são essenciais. Cada agricultor, seja pequeno ou grande, deve participar das organizações de classe e exercer sua cidadania ativa. É fundamental que os interesses do agro sejam defendidos nas câmaras municipais, assembleias estaduais e no Congresso Nacional. Com uma voz forte e unida, o agronegócio pode se contrabalançar e resistir a políticas que não consideram suas necessidades.
Convido todos os envolvidos no setor a se organizarem e fortalecerem suas representações. A hora de agir é agora. O futuro do agro brasileiro depende da nossa capacidade de trabalhar juntos, em defesa de nossas terras, nossa liberdade e nossa produção.

