Saúde Mental: A Nova Urgência da Sociedade Brasileira
Nos últimos anos, a saúde mental passou a ser vista como uma questão de extrema importância entre os brasileiros. Em tempos anteriores, o medo do câncer dominava as preocupações relacionadas à saúde, mas hoje, a preocupação com o colapso mental superou a do corpo. Um estudo da Ipsos Health Service Report 2025 revela que, em menos de uma década, a inquietação com a saúde mental saltou de 18% para 52% da população. Este dado não é apenas uma estatística, mas um reflexo claro das mudanças sociais e das experiências que vivenciamos recentemente.
Essa alteração significativa em um curto espaço de tempo demonstra que os brasileiros estão começando a entender que o sofrimento psíquico não é algo trivial. Não se trata de uma fraqueza ou de uma questão menor; é uma realidade que afeta pessoas de diversas idades e contextos socioeconômicos, e, alarmantemente, está cada vez mais presente entre os jovens.
A pandemia de Covid-19, sem dúvida, teve um papel crucial em trazer à tona essa discussão, antes tratada de forma restrita, geralmente no âmbito clínico. Junto a isso, uma nova preocupação emergiu: a epidemia do burnout, que deixou claro que o trabalho, uma vez considerado um pilar da realização pessoal, se tornou um fator de adoecimento para muitos. De acordo com dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), apenas no último ano, os pedidos de afastamento por transtornos mentais mais que dobraram.
Entretanto, a Covid-19 e o burnout não são fenômenos isolados. Vivemos um período de instabilidade global, marcado por crises econômicas, ambientais e conflitos armados, que permeiam o noticiário. Para muitos, o futuro, que anteriormente representava esperança, se transformou em uma fonte incessante de preocupação, revelando vulnerabilidades em vários níveis, que muitas vezes permanecem ocultas até se tornarem incontroláveis sem intervenção médica.
A saúde mental, portanto, é uma urgência porque afeta todos os aspectos da vida: desde a vida profissional até as relações pessoais e a saúde financeira. Ela é um dos pilares essenciais do bem-estar. Quando essa base apresenta fissuras, há o risco de comprometer toda a estrutura da vida. Segundo a pesquisa da Ipsos, 59% da população admite que o estresse atingiu níveis insuportáveis, dificultando a administração do cotidiano. No Brasil, 39% das pessoas relataram ter enfrentado episódios de estresse incapacitante repetidas vezes no último ano.
Além disso, aqueles que lidam com dificuldades emocionais costumam negligenciar a saúde física, o que não apenas afeta a qualidade de vida, mas também a longevidade. Hoje, é evidente que saúde física e mental estão interligadas e influenciam uma à outra. Portanto, não se pode mais ver esses dois aspectos como campos distintos.
Diante desse cenário, a prevenção se torna prioridade na medicina moderna. O cuidado com a saúde mental não se limita às consultas médicas, mas deve ser incorporado ao cotidiano. Isso implica em garantir uma boa qualidade de sono, praticar atividades físicas regularmente, ter uma alimentação equilibrada e cultivar relacionamentos saudáveis. A atenção constante às nossas interações no trabalho, ao gerenciamento do estresse e ao tempo dedicado ao descanso e lazer é fundamental. Estudos, como o realizado em 2022, mostram que o bem-estar é crucial para diminuir a probabilidade de desenvolvimento de transtornos mentais.
Prevenir é, portanto, fundamental para que pequenos desafios da vida não nos derrubem. A implementação de ações simples no dia a dia pode fortalecer a saúde mental, sendo esse, talvez, o investimento mais valioso que podemos fazer para garantir uma vida longa e produtiva.

