Desempenho do Setor Empresarial na Região do ABC
Entre 2024 e 2025, a região do ABC registrou um expressivo crescimento de 17% na abertura de novas empresas. Apesar do número significativo, 80% dessas empresas são do regime de empresário individual, incluindo os Microempreendedores Individuais (MEIs). Infelizmente, esses negócios enfrentam uma taxa de mortalidade alta, com a maioria encerrando suas atividades rapidamente. Quando observamos outros tipos de empresas, como sociedades limitadas e anônimas, o crescimento foi bem mais modesto, de apenas 10,2% durante o mesmo período.
Dados do Mapa das Empresas, publicado pelo governo federal, revelam que, em 2024, foram abertas 65.632 novas empresas no ABC, com 78,7% delas pertencendo ao regime de empresário individual. Comparando com o ano anterior, que teve 76.902 novas aberturas, o aumento foi de 17,17%, com a mesma proporção de empreendimentos individuais. Esses dados foram coletados entre janeiro e novembro dos dois anos analisados.
Ranking de Aberturas de Empresas no Estado de São Paulo
No cenário estadual, São Bernardo do Campo se destacou como a sexta cidade com o maior número de aberturas de empresas em 2025, ficando atrás de cidades como São Paulo, Guarulhos e Campinas. Santo André também se destacou, ocupando a oitava posição, logo após São José dos Campos. Em contrapartida, outras cidades da região, como Diadema e Mauá, ficaram em posições mais baixas no ranking.
Os números revelam que, embora o número de empreendimentos individuais tenha crescido, esses são os que mais enfrentam dificuldades para se manter abertos. A estatística é alarmante: a cada dez novas empresas, seis fecham as portas rapidamente. No total de empresas abertas no último ano, 61.509 eram de empresários individuais, e 36.747 delas, o que representa 59,7%, encerraram suas atividades. No ano de 2024, a situação se repetiu com 51.664 aberturas e 32.321 fechamentos, totalizando uma taxa de 62,6%.
Desafios e Potencial de Crescimento
Para entender essa dinâmica, o economista Volney Gouveia, que é gestor do curso de Ciências Econômicas da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), ressalta que o modelo de Microempreendedor Individual e as reformas trabalhistas que flexibilizaram a terceirização da mão de obra mudaram os contornos do mercado de trabalho. Segundo ele, a facilidade de iniciar um negócio, aliada à falta de preparo para a gestão das empresas, resulta em um alto índice de fechamento.
“O crescimento de MEIs versus CLTs dependerá da dinâmica do mercado de trabalho e da saúde da economia nacional. Em tempos de recessão, a quantidade de MEIs aumenta, enquanto o número de CLTs diminui. Agora, com a economia em recuperação e uma taxa de desemprego historicamente baixa, a movimentação no mercado de trabalho tem sido intensa”, comenta Gouveia. Ele acredita que tanto os contratos CLT quanto os modelos de MEI estão crescendo em resposta ao bom desempenho da economia local.
A Gestão como Fator Crucial
A gestão eficiente é, segundo Gouveia, a chave para a sobrevivência das pequenas empresas. “O declínio no número de negócios abertos, mesmo em um cenário econômico aquecido, está intrinsicamente ligado a uma gestão ineficaz. De acordo com o Sebrae, mais de 60% das micro e pequenas empresas estão encerrando suas atividades em até cinco anos. Esses dados demonstram que ser autônomo não garante liberdade profissional. Se a gestão não for bem planejada e executada, as estatísticas refletem a fragilidade do surgimento e fechamento de empresas”, aponta.
O Futuro de São Bernardo e a Indústria Tecnológica
Embora São Bernardo tenha perdido algumas posições em relação às cidades do interior, o professor da USCS destaca que a cidade continua sendo um importante polo de geração de emprego. “Dentre os 645 municípios paulistas, São Bernardo está entre os dez maiores, o que comprova sua força e resiliência. A cidade tem potencial para se recuperar e se reerguer, especialmente com o programa federal Nova Indústria Brasil, que destina um investimento de meio trilhão de reais para revitalizar a indústria nacional”, analisa.
Para Gouveia, é fundamental que a região invista em indústrias tecnológicas e novos setores que atendam à demanda por processos produtivos mais sustentáveis e justos. Ele sugere que a criação de um polo financeiro em São Bernardo, semelhante à “Faria Lima do ABC”, poderia impulsionar o setor de serviços e tecnologia, contribuindo para o desenvolvimento econômico local.
Mapeamento e Vocações Locais
Por fim, Gouveia ressalta a importância de estudos que mapeiem as vocações de cada bairro da região, identificando as particularidades que podem ser exploradas para fortalecer a economia local. O mapeamento realizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de São Caetano é um exemplo positivo. “Essas iniciativas são essenciais para entender as potencialidades das diferentes regiões e devem ser fomentadas para integrar e fortalecer os municípios”, conclui.

