Entenda o Papel da Maioria e Minoria no Congresso
Durante cada legislatura, os representantes no Congresso Nacional se organizam com base em suas ideologias e articulações políticas. Essa organização é fundamental para a escolha de líderes, que se aproximam da Mesa Diretora, a instância superior do Parlamento. Essas lideranças têm a responsabilidade de conduzir debates e votações, além de orientar o colegiado sobre como proceder nas votações.
O líder, atuando como porta-voz, é quem representa a bancada no espaço destinado a comunicados partidários. A estrutura de poder no Congresso é estabelecida conforme o regimento interno, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, onde líderes são escolhidos para representar a maioria e a minoria. Essa divisão é crucial, pois permite que grupos políticos tenham acesso a diferentes formas de influência, incluindo espaço para fala, indicações em comissões e participação nas negociações com a Mesa Diretora e o Colégio de Líderes.
Esta organização proporciona aos grupos políticos um acesso ampliado a outros níveis de poder, o que é vital na dinâmica legislativa.
A Configuração da Maioria e Minoria no Congresso
A maioria na Câmara dos Deputados é definida como a legenda ou a coalizão partidária que detém o maior número de representantes. De acordo com o regimento interno, a maioria deve ser absoluta, o que significa que, entre os 513 deputados, pelo menos 257 precisam estar alinhados para que essa maioria seja reconhecida formalmente.
No entanto, há exceções quando o colegiado não atinge essa maioria absoluta, permitindo que o bloco ou partido com o maior número de deputados seja considerado como maioria. A partir desse agrupamento, surge a minoria, que é a representação partidária que se opõe à maioria, mantendo uma postura crítica em relação ao governo. Portanto, se a maioria estiver alinhada com o governo, a minoria será opositora, e vice-versa.
No atual mandato, que teve início em 2022, a maioria é governista e sua liderança está sob responsabilidade de Arlindo Chinaglia (PT-SP), que faz parte do mesmo partido que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A minoria, por sua vez, é conduzida pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO).
Similaridades e Diferenças no Senado
No Senado, a estrutura de poder replica a divisão observada na Câmara, mas com algumas nuances. Com 81 senadores, a maioria é definida como 41 senadores, considerando que essa é a metade do total, mais um. Assim como na Câmara, existem exceções quando não há quorum para configurar a maioria absoluta. Neste momento, o líder da maioria no Senado é Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), enquanto a minoria é liderada por Ciro Nogueira (PP-PI). É relevante observar que Veneziano apresenta um alto índice de alinhamento com o governo, alcançando 98% em suas posições.
Perspectivas para 2027 e Mudanças no Cenário Político
Um fator intrigante é que o cenário no Senado pode ser impactado após as eleições federais de outubro de 2026. Diferentemente dos deputados e do presidente, que têm mandatos de quatro anos, os senadores são eleitos para um período fixo de oito anos. Durante esse tempo, é possível que o país passe por diferentes regimes políticos, a menos que haja reeleição.
Nos últimos quatro mandatos presidenciais, o Executivo foi ocupado por quatro pessoas distintas. Por exemplo, aqueles que foram eleitos em 2018 experimentaram a presidência de Jair Messias Bolsonaro entre 2019 e 2022 e agora estão sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, que representa uma ideologia oposta. Essa alternância no comando executivo tem influenciado diretamente como os parlamentares se posicionam como maioria ou minoria.
Com o mandato mais longo, o Senado apresenta um sistema de revezamento nas eleições, onde a cada quatro anos 27 senadores são eleitos, seguidos por 54 nas eleições subsequentes. Essa dinâmica indica que a maioria pode não ser alterada dentro de um único mandato, mesmo que a percepção política da população esteja polarizada. Para 2027, essa variação pode proporcionar uma oportunidade significativa para candidatos das direitas, como o Partido Liberal (PL), se tornarem a liderança da maioria no Senado, dependendo do cenário eleitoral que se desenhará nas próximas eleições.

