Nova Organização e Desafios na Saúde
A Prefeitura de Ribeirão Preto (SP) anunciou uma alteração significativa na regulação de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS). O secretário municipal de Saúde, Maurício Godinho, revelou que, após a decisão judicial que impede o município e o estado de direcionar pacientes ao Hospital Beneficência Portuguesa, o fluxo de atendimentos será redirecionado para unidades como o Hospital das Clínicas, a Santa Casa e o Santa Lydia. Essa medida vem em resposta a uma ação civil que identificou graves irregularidades na Beneficência.
De acordo com Godinho, essa reorganização ocorrerá mesmo em meio a um cenário de superlotação nas unidades que passarão a receber os novos pacientes. Ele destacou que a Beneficência, até então, recebia em média 30 pacientes por dia oriundos das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da cidade. “Estamos fazendo um esforço para que as instituições de saúde consigam absorver essa demanda adicional, sabendo que já enfrentam desafios significativos em termos de capacidade”, afirmou em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo.
Impactos e Preocupações com a Lotação
Embora os hospitais que receberão os novos casos tenham se comprometido a acomodar os pacientes, a situação ainda é preocupante. A administração municipal reconhece a falta de leitos na região, com um déficit estimado em cerca de 400 leitos. Godinho ressaltou que, apesar dos desafios, os hospitais locais estão se preparando para essa nova realidade e que o atendimento a todos os pacientes será mantido.
O Departamento Regional de Saúde de Ribeirão Preto, que atua em parceria com o estado, também se manifestou sobre a situação, afirmando que está trabalhando junto aos hospitais para garantir que a regulação dos casos de urgência e emergência seja efetiva e que nenhum paciente seja prejudicado durante esse processo de remanejamento.
Suspensão dos Atendimentos na Beneficência Portuguesa
A decisão de reorganizar o fluxo de pacientes no SUS foi motivada por uma ordem da juíza Lucilene Aparecida Canella de Melo, da 2ª Vara da Fazenda Pública. Isso ocorreu após o Ministério Público ter ajuizado uma ação civil pública que apontava diversas irregularidades no Hospital Beneficência Portuguesa. Entre os problemas destacados estão a falta de enfermeiros em áreas críticas, superlotação e a ausência de quartos adequados para pacientes com doenças contagiosas.
Além disso, o MP citou falhas na documentação técnica e discrepâncias nas condições de atendimento entre os setores que atendem convênios e o SUS. A juíza estabeleceu um prazo de 90 dias para que a Beneficência tome as medidas necessárias para corrigir essas falhas, incluindo a reorganização de espaços para garantir o distanciamento entre os leitos e a adequação das instalações de acordo com as exigências da Vigilância Sanitária.
Expectativas e Próximos Passos
Enquanto as novas diretrizes estão em vigor, tanto o município quanto o estado de São Paulo estão proibidos de enviar pacientes para a Beneficência em casos de urgência e emergência. A equipe de reportagem tentou contato com o hospital para obter uma posição sobre a situação, mas não obteve retorno. A expectativa agora é que a Justiça e as autoridades de saúde consigam resolver as questões pendentes e garantir um atendimento digno à população.
Em um cenário em que os problemas de saúde pública têm sido uma preocupação constante, a agilidade nas soluções e a adequação das estruturas hospitalares são fundamentais para a segurança e o bem-estar dos cidadãos de Ribeirão Preto. O desafio, portanto, está lançado: conseguir atender uma demanda crescente em um contexto de dificuldades estruturais.

