Decisão Judicial Reflete Crueldade e Deboche do Réu
O juiz Luciano de Oliveira Silva, responsável por condenar Leonardo Silva a 31 anos e seis meses de reclusão pela morte de Nilza Costa Pingoud, de 62 anos, destacou em sua sentença a gravidade dos atos cometidos pelo jovem, que na época tinha apenas 19 anos. O magistrado apontou três fatores cruciais que embasaram a pena aplicada, a qual será cumprida em regime fechado.
Na análise de Silva, a forma como Leonardo agiu demonstrou uma crueldade inaceitável. O crime, que ocorreu em julho de 2023, foi caracterizado pela violência desmedida e pela falta de remorso do réu, que chegou a debater o assunto com deboche em momentos de sua prisão. “O histórico dos fatos revela uma atitude cruel e desprovida de qualquer empatia. A forma como a vítima foi asfixiada, resultando em uma morte lenta e agonizante, somada ao tom de deboche observado em entrevistas, comprova a reprovabilidade de sua conduta”, afirma um trecho da decisão.
A sentença foi divulgada na segunda-feira (26) e, segundo o advogado de defesa de Leonardo, Luiz Gustavo Vicente Penna, a condenação será contestada. Penna declarou que a decisão não condiz com as provas apresentadas e questionou a configuração do crime de latrocínio, alegando que seu cliente não tinha a intenção de roubar bens da vítima.
O defensor ainda argumentou que Leonardo confessou ter agido por impulso, motivado por sentimentos de raiva, defendendo que o caso seria mais apropriado para um enquadramento como homicídio doloso. “Acreditamos que a instância superior irá corrigir a tipificação jurídica, determinando a competência da Vara do Tribunal do Júri para uma análise mais aprofundada”, destacou Penna.
As Penas e a Natureza do Crime
Leonardo foi formalmente condenado pelos crimes de latrocínio, penalizado com 30 anos, e ocultação de cadáver, que lhe rendeu mais um ano e seis meses. Combinadas, as penas totalizam 31 anos e seis meses de prisão. O juiz enfatizou que a falta de arrependimento e o desprezo pela dignidade da vítima foram fatores que justificaram a severidade da pena. “A valoração negativa do comportamento do réu, revelado pelo tom de deboche, demonstra sua elevada periculosidade, o que torna imperativo o aumento da pena base”, concluiu o juiz.
Leonardo, que está sob custódia desde agosto de 2023, confessou o assassinato de Nilza à polícia e, em um momento de esfregação com a imprensa, demonstrou indiferença ao gravidade do crime. O juiz ainda determinou que os bens adquiridos por Leonardo com o dinheiro da vítima sejam devolvidos aos familiares de Nilza.
O juiz mencionou que o crime foi cometido com extrema frieza contra uma vítima idosa, o que gerou grande clamor social e insegurança na comunidade local. Durante o processo, a defesa apresentou um laudo que alegava insanidade mental, mas novos exames indicaram que Leonardo tinha plena capacidade para compreender suas ações no momento do crime.
Os Detalhes do Crime
Em uma reviravolta trágica, o g1 teve acesso a detalhes do caso, revelando que Leonardo usou um fio de cortador de grama para cometer o crime. Após a morte de Nilza, ele acessou suas contas bancárias, gastando cerca de R$ 50 mil e adquirindo bens pessoais, incluindo uma moto e novos eletrodomésticos para sua família. Ele ainda iniciou a compra de um apartamento em um bairro nobre de Barretos, onde pretendia viver.
A ação de Leonardo foi confirmada por testemunhas e pela própria confissão do réu, que expressou frieza ao admitir seu crime. A defesa havia tentado caracterizar a conduta como homicídio doloso, mas a evidência de que existia a intenção de roubar se mostrou clara em toda a investigação.
Com o corpo de Nilza encontrado uma semana após o crime, a comunidade se mobilizou e levou os vizinhos a desconfiarem da situação, resultando na prisão de Leonardo no dia 3 de agosto de 2023. A investigação revelou que antes do assassinato, o jovem havia vivido por um tempo nos fundos da casa da vítima, onde inicialmente mantinha uma relação de trabalho com ela.

