O Papel do Artesanato no Carnaval de São Paulo
No contexto do Carnaval, o artesanato se fortalece como um elemento crucial para a economia criativa em São Paulo. À medida que as festividades de 2026 se aproximam, a produção manual se transforma em um motor econômico, passando a ser uma expressiva contribuição ao PIB do estado. Isso se deve a políticas de profissionalização que elevam materiais simples a verdadeiros ativos culturais, valorizando a tradição e gerando renda para muitos.
Em Lençóis Paulista, por exemplo, a combinação de cola de maizena, papel e muita criatividade exemplifica essa evolução. Antônio Marcos da Silva, nome respeitado no meio, é reconhecido como Mestre Artesão pelo Programa do Artesanato Brasileiro (PAB). Utilizando a técnica da papietagem, ele cria máscaras e bonecos gigantes, refletindo a trajetória ascendente de um setor que trabalha para desfazer preconceitos.
“Essa iniciativa visa romper com a ideia de que a arte popular é algo menor. Quando o artesanato é reconhecido, nós, como artesãos, também somos valorizados”, afirma Antônio, ressaltando a importância do reconhecimento cultural.
Perspectivas Econômicas do Artesanato no Carnaval
O artesanato, especialmente durante o Carnaval, movimenta uma vasta cadeia produtiva. Dados do Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB) apontam para um crescimento significativo que merece destaque:
- Força de Trabalho: São mais de 92 mil artesãos registrados em São Paulo.
- Volume Financeiro: O setor gerou cerca de R$ 136,6 bilhões para a economia.
- Representatividade: Esse valor representa aproximadamente 5,2% do PIB paulista, segundo dados de 2022.
Para manter esses índices, o programa Empreendedor Artesão, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), é fundamental. A iniciativa oferece suporte que vai desde a formalização da profissão até o acesso a linhas de crédito do Banco do Povo Paulista. Essa ajuda permite que os criadores modernizem seus ateliês e atendam à crescente demanda durante as festividades.
Da Infância à Criação: A História de Antônio
A conexão de Antônio com a arte manual começou na infância, no Nordeste do Brasil. Sem brinquedos industrializados, ele encontrou nas feiras livres os materiais para suas criações. Utilizava o “grude” — uma cola natural feita de amido de milho — em combinação com papéis de embalagens, dando origem a esculturas criativas.
Agora, em São Paulo, essa bagagem se transforma em peças que conversam com a cultura popular brasileira, posicionando o artesanato no Carnaval como um símbolo de resistência e identidade. Mudanças na cidade foram fundamentais para o crescimento de seu trabalho. “Aqui, minha arte ganhou mais forma, técnica e repertório criativo”, revela Antônio, que também se dedica a ministrar oficinas, garantindo a continuidade do conhecimento artesanal.
Para ele, a venda de suas criações vai muito além de uma simples transação financeira. “Adquirir artesanato é adquirir afeto. Cada peça carrega uma relação emocional entre o artista e o comprador”, enfatiza, reforçando o valor social e cultural do seu trabalho.
Ao unir formalização, acesso a crédito e valorização cultural, São Paulo demonstra que investir no artesanato durante o Carnaval não é apenas uma estratégia de desenvolvimento econômico, mas uma forma de promover um crescimento sustentável e social.

