Reflexões sobre o Carnaval e o Descanso
Ruth de Aquino compartilha suas experiências e reflexões sobre o Carnaval, destacando o ato de descansar em meio à folia como uma forma revolucionária de aproveitar a festa. Crescendo no Centro-Oeste do Brasil, não era uma foliã típica, mas sim uma entusiasta dos trios elétricos da Bahia, onde artistas como Moraes Moreira e Margareth Menezes faziam a alegria dos foliões. No passado, ela se sentia viva e cheia de energia, sempre pronta para cantar e dançar atrás do trio elétrico. No entanto, com o passar do tempo, a realidade se impôs, e a energia se tornou escassa.
Após vivenciar o Carnaval do ano passado, Ruth percebeu que a idade traz limitações. A sensação de juventude que uma boa bebida pode proporcionar não consegue mascarar a verdade: após os 40, a resistência para um dia inteiro de folia já não é a mesma. Agora, a estratégia é mais cuidadosa: dividir as atividades em turnos e hidratar-se constantemente. Essa realidade se aplica a todo o Brasil, onde o Carnaval é celebrado de diferentes maneiras.
No Rio de Janeiro, por exemplo, é impossível manter a mesma disposição em um bloco pela manhã e ainda estar pronta para um desfile à noite. A jornada pode se tornar extenuante, e as armadilhas da festa são muitas, como acabar vagando por horas atrás de uma banda. Ruth admite que seu corpo não se dá bem com as limitações dos banheiros químicos, um fardo que muitos foliões enfrentam.
A Emoção do Desfile
Desfrutar dos desfiles das escolas de samba, no entanto, é uma paixão que permanece. A emoção de ver as apresentações e sentir a energia dos participantes é algo que encanta Ruth. Ela recorda a única vez que desfilou, quando ganhou uma fantasia e, após horas de espera, se viu em uma situação inusitada: vestida de baralho, com o rosto sendo a única parte visível. O resultado? Uma experiência que a deixou com labirintite e um gosto amargo de humilhação.
Outra experiência que Ruth menciona é a cidade de Olinda, conhecida por sua beleza e, curiosamente, por suas ladeiras verticais. A alegria contagiante da festa se transforma em um verdadeiro desafio físico, onde subir e descer colinas se torna um treino intenso, mas que não proporciona a vivência desejada do Carnaval. Para encarar o Carnaval de Recife, uma preparação prévia com fisioterapia poderia ser necessária.
O Estado de Espírito da Folia
Conforme os anos passam, Ruth percebe que sua idade não combina mais com sua fantasia favorita: a de inimiga do fim. Ela admite que, mesmo após a festa, ainda procura por mais, emendando eventos e encontros. No entanto, esse ano, ela optou por uma abordagem diferente. Com sua filha agora com 16 anos e ansiosa para se juntar à folia, Ruth decidiu que seria melhor fazer uma viagem em família durante o Carnaval.
Sua posição é clara: descansar durante o Carnaval é um ato revolucionário, um respiro em um momento que, para muitos, é sinônimo de frenesi. Ela observa suas amigas se apressando para comprar fantasias e se pergunta se está perdendo tempo, mas também reconhece que a energia e o desejo de acompanhar as festividades podem ser traiçoeiros.
Este ano, ela se dedica a um novo tipo de folia, onde relaxar e desfrutar de momentos tranquilos se tornam prioridades. O Carnaval, apesar de seu frenesi, pode ser melhor vivenciado em equilíbrio, onde a alegria não precisa ser sempre acompanhada da exaustão.

