Uso Excessivo de Força em Abordagem Policial
No último domingo (1), um episódio de violência em Morro Agudo, São Paulo, chamou a atenção da sociedade. Um pintor, identificado como Carlos Eduardo Montalvão, de 46 anos, foi agredido por policiais militares durante um surto. O incidente, que ocorreu em plena rua e foi registrado por testemunhas, gerou repercussão nas redes sociais. A situação se agravou quando Carlos ofendeu os agentes que passavam pelo local em uma viatura.
Douglas Marques, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, manifestou sua indignação em relação à abordagem policial. ‘Se a intenção fosse realmente conter, essa situação poderia ter sido manejada de outra forma. Os policiais estavam em maior número e tinham a capacidade de imobilizá-lo sem agredir’, afirmou ele. O advogado ainda observou que o uso do “mata leão” poderia ter sido uma alternativa mais apropriada para controlar Carlos, ao invés do uso de força bruta.
No boletim de ocorrência registrado pelos policiais na data do episódio, a alegação foi de que a força moderada foi necessária devido a um ataque do pintor. Entretanto, essa versão contrasta com as imagens que circularam na internet, onde é possível observar a agressão desproporcional.
Investigação em Andamento
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo se pronunciou a respeito do caso, ressaltando que a conduta dos policiais está sendo investigada pela Delegacia de Morro Agudo. ‘Assim que a Polícia Militar teve conhecimento dos fatos, instaurou uma investigação para apurar as ações dos agentes envolvidos e aplicar as medidas cabíveis’, informou a pasta.
A Secretaria enfatizou ainda que a corporação não tolera excessos e que todos os casos de desvios de conduta serão tratados com rigor. ‘A autoridade policial irá ouvir todas as partes envolvidas e conduzir as diligências necessárias para esclarecer a situação’, completou.
Preocupação com a Abordagem
Durante entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, Douglas Marques também expressou sua preocupação com a maneira como a situação foi tratada pelos policiais. ‘Carlos estava claramente em um estado vulnerável. Mesmo que tenha agido de maneira ofensiva, isso não justifica a violência empregada’, destacou.
A família do pintor relatou que Carlos enfrenta problemas de saúde mental há cerca de um mês e que já havia buscado atendimento médico antes do incidente. ‘A violência não é a solução. Minha família tem tentado ajuda, mas as coisas não estão fáceis’, lamentou um de seus irmãos, José Roberto Montalvão.
Reações da Família e da Comunidade
Maria de Lourdes Ribeiro Montalvão, irmã de Carlos, expressou sua revolta com a agressão. ‘É meu irmão, é sangue. Ele estava com problemas, e a polícia não deveria ter agido dessa maneira. O que aconteceu foi um exagero’, declarou, referindo-se aos insultos que Carlos proferiu contra os policiais.
O caso gerou uma onda de indignação nas redes sociais, onde muitos condenaram a ação dos policiais e chamaram a atenção para a necessidade de um tratamento mais humano em situações que envolvem pessoas com transtornos mentais. A comunidade local também se mobilizou, clamando por justiça e por uma reavaliação das táticas utilizadas pelas forças de segurança em situações que exigem sensibilidade e compreensão.
Após as agressões, Carlos foi levado até um hospital, onde recebeu atendimento para os ferimentos sofridos e, em seguida, foi encaminhado à Delegacia da Polícia Civil em São Joaquim da Barra (SP). Os policiais alegaram que a utilização da força moderada foi necessária para contê-lo, mas essa justificativa ainda está sob investigação. O caso foi classificado na Polícia Civil como desobediência e desacato.

