Desafios da Educação Infantil no Brasil
De acordo com dados recentes do IBGE, existem aproximadamente 11,2 milhões de crianças entre 0 e 3 anos no Brasil. Deste total, cerca de 4,4 milhões, representando cerca de 40%, estão matriculadas em creches. Isso significa que 6,8 milhões de crianças, ou 60% do total, permanecem fora dessa importante etapa da educação básica. Os dados do MEC (Ministério da Educação) e do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), revelados no Censo Escolar 2024, indicam que há aproximadamente 78,1 mil instituições de educação infantil em todo o país.
A matrícula em creches, que atendem crianças de até 3 anos, não é obrigatória no Brasil. Contudo, é um dever do Estado assegurar que as famílias que desejam matricular seus filhos tenham acesso às vagas disponíveis. Letícia Nascimento, professora da Faculdade de Educação da USP e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Sociologia da Infância e Educação Infantil, afirma: “Desde a Constituição se define que a educação infantil é um dever do Estado e uma escolha da família, embora pareça um eufemismo falar que é escolha da família, porque nós sabemos que, em um país como o nosso, grande parte das famílias não só quer que as crianças vão à creche, mas precisa que elas vão”.
Embora a matrícula em creches não seja obrigatória, os benefícios de frequentar essas instituições são amplos. As creches contribuem para o desenvolvimento social, cognitivo e emocional das crianças, além de oferecer suporte às famílias, permitindo que os pais conciliem suas obrigações de trabalho com o cuidado dos filhos. No entanto, as dificuldades de acesso a essas instituições muitas vezes se mostram como um grande obstáculo para alcançar a meta de atendimento de 60% das crianças nesta fase da educação.
Desigualdade no Acesso às Creches
Infelizmente, o acesso às creches é desigual no Brasil, refletindo as disparidades socioeconômicas do país. Atualmente, enquanto cerca de 30% das crianças mais pobres têm acesso às creches, essa porcentagem salta para aproximadamente 60% entre as crianças de famílias mais abastadas. Essa diferença no acesso evidencia a necessidade de políticas públicas que garantam igualdade de oportunidades para todas as crianças, independentemente de sua condição social.
Para seguir com esse tema, e conhecer mais sobre a importância da educação infantil, não deixe de acompanhar o Boletim USP e Educação, com produção de Cinderela Caldeira, Henrique Giacomin e Breno Marino, e edição da Rádio USP. Você pode sintonizar a Rádio USP SP 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107,9 MHz, ou acessar pela internet em www.jornal.usp.br, além de estar presente nos principais agregadores de podcast como Spotify, iTunes e Deezer.

