Reflexões sobre o impacto das ideologias extremistas
“O que já se passou nesses 40 dias do novo ano é um verdadeiro turbilhão de absurdos”, destaca Martin Grossmann, ao iniciar sua primeira coluna de 2024. Ele poderia listar diversos acontecimentos, mas prefere, para marcar este começo de ano, relembrar uma coluna de 2018, onde alertou para questões que a grande mídia e as redes sociais, inicialmente, consideravam como casos isolados. Tais eventos eram, na verdade, consequências diretas das políticas culturais do governo de então, refletindo os ideais daquela administração.
Grossmann menciona o anúncio do Prêmio Nacional das Artes, uma iniciativa que, segundo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, além do secretário Especial da Cultura, Roberto Alvim, visava destinar mais de R$ 20 milhões para a promoção da produção artística. Alvim, em seu discurso inaugural, prometeu um renascimento das artes no Brasil. No entanto, seu pronunciamento gerou controvérsia ao fazer referências explícitas ao nazismo, citando Joseph Goebbels. O discurso foi proferido em um cenário cuidadosamente preparado, incluindo uma trilha sonora da ópera de Richard Wagner, refletindo uma ideologia que mancha a história da humanidade. A pressão social resultou na exoneração de Alvim e no arquivamento do prêmio.
No mesmo período, o colunista recorda a atuação de Steve Bannon, ex-assistente de Trump, que formou um elo entre o governo Bolsonaro e a extrema-direita global, apoiando sua eleição em 2018 e mantendo laços com os filhos do presidente à época. “Essa relação não se limitou ao contexto de então, mas se expandiu”, afirma Grossmann, que utiliza esse episódio para contextualizar eventos recentes que reforçam “o comportamento abusivo do governo norte-americano nas redes sociais e na vida cotidiana de uma significativa parcela da população mundial”.
Artigos na grande imprensa têm chamado atenção para a atuação dos extremistas que promovem a supremacia branca, agora integrados aos governos, especialmente no contexto do segundo mandato de Donald Trump. Um exemplo disso foi um vídeo, mantido nas redes sociais da Casa Branca por algumas horas, que retratava Barack Obama e sua esposa Michelle de maneira racista. Essas ações não são meras coincidências, mas resultado de uma intencionalidade maligna orquestrada por líderes e estrategistas vinculados ao neonazismo.

