O Crescimento do PSD e a Crise do PSDB em São Paulo
O PSD está ganhando força em São Paulo, especialmente após a filiação de seis dos oito deputados estaduais do PSDB à legenda liderada por Gilberto Kassab. Essa manobra, divulgada na semana passada, intensificou a crise do partido tradicional, que já não brilha como antes em seu reduto histórico. A reação da cúpula tucana foi imediata, conforme reportado pelo jornal O Globo.
O movimento do PSD não é apenas estratégico, mas também reflete os resultados eleitorais recentes no estado. Nas eleições municipais de 2024, o partido de Kassab conquistou impressionantes 207 prefeituras, enquanto os tucanos se limitaram a apenas 21. Comparando com quatro anos atrás, quando o PSDB venceu em 173 cidades, o recuo é alarmante. Um levantamento apontou que, entre os 83 prefeitos e vice-prefeitos tucanos que tentaram a reeleição, 45 migraram para o PSD, seguindo o mesmo caminho que os parlamentares estaduais.
Motivos da Migração e Consequências Políticas
A maior parte dessas mudanças ocorreu em municípios menores, onde a estrutura partidária e alianças regionais exercem grande influência. O PSD emergiu como a legenda que mais acolheu ex-integrantes do PSDB, seguido pelo Republicanos, partido do governador Tarcísio, que atraiu 11 nomes, incluindo o prefeito de Santos, Rogério Santos. Outras siglas, como PL, União Brasil, PP e MDB, também receberam ex-tucanos, enquanto apenas dez remanescentes decidiram permanecer formalmente no PSDB.
A crise do PSDB se acentuou após a derrota nas eleições para o governo estadual em 2022, quando Tarcísio derrotou Rodrigo Garcia, ex-vice de João Doria. O partido, que comandou o Palácio dos Bandeirantes por 28 anos, agora enfrenta um cenário desolador.
A Reação de Aécio Neves e a Crise Interna do PSDB
Com o partido em baixa, o deputado federal Aécio Neves, que preside o PSDB, manifestou seu descontentamento em relação ao movimento do PSD. Em suas críticas, ele comparou Kassab a agentes do mercado financeiro, afirmando que o partido enfrenta uma “ofensiva predatória”. “O cacique do PSD funciona como ‘fundos abutres da economia’, pois ‘ataca os ativos da empresa para depois comprar na baixa’”, declarou Aécio, reafirmando que “o PSDB não está à venda”. Ele enfatizou que, diferentemente do PSD, o PSDB se prepara para apresentar um novo projeto para o Brasil.
Bastidores revelam que a debandada de líderes tucanos está ligada a conflitos internos e a uma crise de identidade após o partido perder relevância na polarização política com o PT, que se agravou com o crescimento do bolsonarismo. Em 2022, o PSDB não lançou candidatura própria à presidência, optando por apoiar Simone Tebet (MDB), atualmente ministra no governo Lula.
Dificuldades e Futuro do PSDB
Além da crise política, o PSDB enfrenta problemas de financiamento e estrutura eleitoral, ocupando apenas a décima posição entre os partidos que mais receberam recursos públicos de campanha. Uma nova derrota nas próximas eleições poderia comprometer o acesso ao fundo partidário até 2030, segundo avaliações internas.
A migração de ex-líderes municipais reforça o retrato do enfraquecimento do PSDB. Exemplos como Felício Ramuth, ex-prefeito de São José dos Campos, que se tornou vice-governador, e Duarte Nogueira, ex-prefeito de Ribeirão Preto, que também se filiou ao PSD, ilustram esse movimento. Orlando Morando, ex-prefeito de São Bernardo do Campo, pediu desfiliação e atualmente ocupa uma secretaria na administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB) em São Paulo.
O Papel de Kassab e as Perspectivas Futuras
Entre os poucos que permaneceram no PSDB está Paulo Serra, ex-prefeito de Santo André, que é cogitado como possível candidato ao governo paulista. Ao ser questionado sobre a absorção do espaço tucano pelo PSD, Serra respondeu de maneira firme: “Não se absorve um conceito, ainda mais sendo base de apoio do PT no plano nacional. O PSD comanda três ministérios”.
O crescimento do PSD é atribuído à estratégia de Kassab de construir uma estrutura partidária forte, capaz de atrair lideranças regionais com mandato. Fundado em 2011, o PSD se tornou a legenda com o maior número de prefeituras no Brasil, aumentando sua relevância nas negociações políticas.
Em São Paulo, ao acumular a função de dirigente partidário e secretário de Governo, Kassab atua em uma posição estratégica em relação aos municípios. Ele é responsável por firmar convênios e parcerias com prefeituras, o que levanta críticas de adversários que acusam o PSD de utilizar a máquina estadual para cooptar políticos em troca de verbas. Kassab, por sua vez, sempre negou essas alegações.
Recentemente, Kassab também conseguiu atrair dois governadores do União Brasil, Ronaldo Caiado, de Goiás, e Marcos Rocha, de Rondônia, ampliando assim o alcance nacional do PSD e reforçando seu papel como um polo de reorganização do centro político no Brasil.

