O poder do amor feminino em ‘Monstruosa’
A escritora baiana Amanda Julieta apresenta, no dia 7 de março, às 14h, no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador, seu novo livro de contos intitulado ‘Monstruosa’. Esta obra instigante desafia estigmas históricos que recaem sobre corpos dissidentes, ressaltando o amor entre mulheres como uma força política e vital.
O lançamento será marcado pela distribuição gratuita de 100 exemplares e contará com a leitura de trechos do livro por renomados artistas, incluindo as poetas Bruna Silva e Louise Queiroz. A mediação ficará por conta da professora de letras Fernanda Miranda, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que também enriquecerá o evento com sua expertise.
Uma narrativa rica e diversificada
Com uma escrita que mescla a prosa poética a um fluxo de consciência e uma narrativa fragmentada, ‘Monstruosa’ constrói um mosaico de histórias tecidas por temas como a violência estrutural, o cuidado, o desejo, o luto e a reinvenção. As protagonistas do livro são, em sua maioria, mulheres negras, lésbicas ou bissexuais, que enfrentam experiências que oscilam entre o íntimo e o coletivo. As narrativas revelam suas estratégias de sobrevivência em um mundo repleto de racismo, lesbofobia, violência policial e precarização da vida.
Os contos apresentam personagens com vivências diversas: uma adolescente no subúrbio de Salvador descobre sua sexualidade; uma mulher lida com os desafios diários para retornar para casa e surpreender sua companheira com um presente; um casal tenta desvendar os mistérios do amor em meio à rotina; e memórias de um relacionamento se materializam em uma carta.
Desconstruindo estigmas com ‘Monstruosa’
O título da obra já é, por si só, um ato de resistência. ‘Monstruosa’ fala sobre o poder de destruir para criar — novos afetos, mundos alternativos e formas diferentes de existir. Com uma orelha assinada pela escritora Natália Borges Polesso, o livro é publicado pela ParaLeLo13S, editora da livraria Boto-cor-de-rosa.
Para Julieta, o livro se propõe a provocar uma reflexão sobre como mulheres que se amam têm sido historicamente interpretadas na sociedade. “O que há de monstruoso em uma mulher que apenas deseja chegar em casa em segurança para jantar com sua companheira e seu filho na noite de Natal? Elas não são monstros que destroem a família tradicional, mas mulheres que optaram por viver de acordo com suas próprias regras”, ressalta a autora.
Uma estrutura narrativa não convencional
Os contos de ‘Monstruosa’ não seguem uma linearidade narrativa convencional. A fragmentação é uma escolha estética e política, refletindo modos de existir marcados por rupturas e recomposições. “As histórias não dialogam por continuidade, mas sim por ressonância. Cada conto ilumina o outro, convidando o leitor a estabelecer conexões entre as narrativas”, explica Amanda Julieta.
Entre realidade e ficção
As histórias presentes em ‘Monstruosa’ transitam por um espaço ambíguo entre o real e o ficcional. Essa abordagem aproxima o leitor de situações que, embora literárias, carregam a força do cotidiano. “Neste livro, tudo é real e inventado. Algumas histórias que narro eu realmente ouvi, mas nunca da maneira como estão contadas aqui. A ideia do conto ‘Chocolates’, por exemplo, surgiu de uma conversa que escutei na rua sobre uma abordagem policial agressiva”, relata Julieta.
Além disso, ‘Monstruosa’ é um livro permeado de esperança. “Uma esperança radical, que surge da reinvenção coletiva. A obra é resultado desse tensionamento entre a brutalidade do presente e a urgente necessidade de imaginar novas formas de existir, amar e sobreviver”, define a autora.
Ao final da leitura, Amanda Julieta espera que os leitores se levem mais do que simples histórias. “Desejo que cada um que termine ‘Monstruosa’ seja impactado pela força do amor entre mulheres — não como um ideal romântico, mas como uma força política, ética e vital, uma tecnologia de sobrevivência e imaginação de futuro”, conclui a escritora.
Serviço
Lançamento do livro: ‘Monstruosa’, de Amanda Julieta
Data: 7 de março, às 14h
Local: Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) | Centro Histórico de Salvador – BA

