Cenário Atual do Café e Desafios do Setor
Na atual safra, os preços do café apresentam uma queda em relação aos anos anteriores, mas, mesmo assim, são capazes de garantir uma remuneração adequada aos produtores. Os cafeicultores de Minas Gerais e São Paulo se deparam com incertezas, especialmente devido aos impactos da guerra no Irã e às elevadas taxas de juros.
Esses temas foram amplamente debatidos por produtores rurais durante a 25ª Femagri (Feira de Máquinas, Implementos e Insumos Agrícolas), promovida pela Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores), que ocorreu em Guaxupé (MG), entre os dias 18 e 20 deste mês.
Atualmente, o preço da saca de 60 quilos oscila entre R$ 1.500 e R$ 1.950, um recuo significativo em comparação aos mais de R$ 2.500 que eram praticados no ano passado. Esse valor, quando ajustado pela inflação, atinge a marca de R$ 2.595. Essa diminuição nos preços trouxe impactos diversos, incluindo investimentos no setor agrícola, mas também um aumento nos furtos nas propriedades rurais, com casos de café sendo roubado diretamente das lavouras.
Impactos Econômicos e Expectativas Futuras
Com a queda nos preços, os produtores agora enfrentam uma expectativa de safra menor. A Cooxupé, a maior cooperativa do Brasil, projeta a exportação de 4,4 milhões de sacas nesta safra, aproximadamente 400 mil sacas a menos do que em 2025. Apesar dessa diminuição, a cooperativa acredita que o final do ano pode trazer um cenário mais otimista, vislumbrando um panorama mais favorável para 2027.
Nos primeiros meses deste ano, o Brasil exportou 5,41 milhões de sacas de café, uma redução de 27,3% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme os dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Osvaldo Bachião Filho, vice-presidente da Cooxupé, comentou que, apesar dos preços atuais de R$ 1.500 a R$ 1.800 por saca serem considerados bons, os cafeicultores enfrentam a necessidade de controlar suas finanças para evitar endividamento, especialmente em um cenário de juros altos, que atingem 14,75% ao ano.
Bachião Filho lembrou que, em tempos não muito distantes, sonhar em vender a saca por US$ 100 parecia inatingível. Hoje, com preços em torno de US$ 300, ele frisa a importância de aproveitar essas condições para garantir a sustentabilidade dos negócios.
Resultados Financeiros e Desafios Logísticos
A Cooxupé, que teve um desempenho excepcional no ano passado, registrou faturamento recorde de R$ 10,7 bilhões em 2024, um crescimento de 67% em relação aos R$ 6,4 bilhões do ano anterior, corrigidos pela inflação. A cooperativa distribuiu R$ 134,4 milhões aos cooperados, um aumento em relação aos R$ 101,4 milhões do ano anterior. O presidente da cooperativa, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, destacou os desafios impostos pela guerra no Oriente Médio e a problemática da taxa de juros elevada, que impactam diretamente o setor.
O Copom (Comitê de Política Monetária) iniciou um ciclo de redução de juros, cortando a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, atualizando-a para 14,75% ao ano, o que pode trazer alívio aos cafeicultores. Entretanto, os efeitos da guerra incluem complicações na importação de insumos, especialmente fertilizantes, com o Brasil dependendo de nitratos do Irã, o que pode comprometer a logística de exportação do café.
Expectativas de Clima e Oportunidades na Femagri
Por outro lado, o clima tem se mostrado favorável, sendo o menor fator de preocupação para os produtores, caso as previsões se confirmem. Bachião Filho enfatizou que as lavouras estão melhores do que em anos anteriores, com chuvas bem distribuídas e temperaturas agradáveis, o que pode resultar em uma safra abundante.
A Femagri, que contou com 120 expositores e recebeu 45.336 visitantes, superando as expectativas, foi um espaço de novas oportunidades para agricultores familiares da região, que realizaram milhares de orçamentos para a aquisição de maquinaria e insumos. Os desafios persistem, mas os cafeicultores seguem firmes, buscando se adaptar e prosperar em um mercado em constante transformação.

