Disputa Pelo Apoio Evangélico
Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro (PL) tem avançado em sua busca por apoio entre líderes evangélicos, levando seus principais concorrentes, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), a reagirem em um cenário político cada vez mais acirrado. A relevância do eleitorado evangélico, que representa cerca de 26,9% da população brasileira, segundo dados do último Censo, torna essa corrida ainda mais estratégica para os pré-candidatos à presidência.
A articulação de Flávio envolve não apenas encontros em igrejas, mas também reuniões fechadas com figuras influentes do segmento religioso. Essa movimentação tem sido crucial para marcar a agenda desses líderes políticos que buscam garantir um espaço na direita brasileira. Contudo, Flávio enfrentou obstáculos recentes ao tentar se conectar com referências evangélicas. Críticas de aliados do bolsonarismo surgiram após o não cumprimento de um acordo crucial, referente à indicação de um candidato ao Senado em São Paulo, vinculado ao grupo evangélico.
De acordo com relatos, a expectativa de um entendimento entre Flávio e líderes religiosos estava comprometida devido à recusa em indicar nomes de peso, como os deputados Cezinha de Madureira e Marco Feliciano, ambos do PL. Cezinha, por sua vez, se filiou ao partido durante a janela partidária, aumentando ainda mais as expectativas em torno de sua possível indicação.
Tensões Internas e Consequências
A falta de consenso sobre a vaga ao Senado acirrou disputas internas no PL, criando um clima de tensão entre as diferentes facções do partido. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, defende a nomeação de André do Prado, atual presidente da Alesp, enquanto Eduardo Bolsonaro busca impulsionar aliados próximos, como Mário Frias. Essa disputa interna, portanto, esvaziou o espaço que inicialmente havia sido negociado com lideranças evangélicas e potencialmente prejudica o diálogo entre essas figuras e a candidatura de Flávio.
Publicamente, o deputado Marco Feliciano expressou sua insatisfação com a situação durante um evento na Assembleia de Deus Ministério do Belém, questionando Flávio sobre a falta de reciprocidade no tratamento aos evangélicos. O cenário, segundo interlocutores, reflete um descontentamento mais profundo, com líderes evangélicos se sentindo preteridos após sucessivas negociações sem sucesso. Um exemplo citado foi a escolha de Marcos Pontes para a candidatura ao Senado em 2022, posição que Feliciano almejava.
Movimentações Paralelas no Cenário Político
Com o desgaste na relação com Flávio, líderes evangélicos estão buscando novas alternativas dentro do espectro político da direita, favorecendo a candidatura de Ronaldo Caiado. O ex-governador de Goiás está intensificando sua aproximação com grupos religiosos e oferecendo espaço político em sua estrutura. Dentre as novas alianças, destaca-se a colaboração com o bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus Ministério Madureira, que formalizou seu apoio a Caiado, além de contribuir para a indicação do senador Vanderlan Cardoso na chapa de Daniel Vilela (MDB).
Procurado, o bispo Samuel Ferreira comentou: “Meu apoio a Caiado é guiado por respeito e compromisso com princípios”. Essa movimentação é vista como uma tentativa de fortalecer a base de apoio evangélica para a candidatura de Caiado, enquanto aliados de Flávio acreditam que a situação não impactará significativamente a mobilização de sua campanha.
Articulações Estratégicas de Flávio
Apesar das tensões, Flávio Bolsonaro mantém um plano estruturado para se aproximar das lideranças evangélicas, seguindo um exemplo de sucesso de seu pai em 2018. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), pastor da Assembleia de Deus, tem sido o responsável por facilitar acessos a diferentes denominações. A pré-candidatura de Flávio delineou prioridades que consideram a capacidade de mobilização das igrejas e sua presença nacional, buscando evitar desgastes em agendas prematuras.
A campanha já realizou encontros com a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) e agora pretende avançar para outras denominações, incluindo igrejas Quadrangular e batistas. O plano inclui também uma aproximação com a Assembleia de Deus Ministério Madureira e outras igrejas importantes, como a Graça e O Brasil Para Cristo, sendo Madureira um foco central para o sucesso dessa estratégia.
Flávio já tem agendadas visitas a importantes líderes religiosos, como o pastor Silas Malafaia, no Rio de Janeiro, em maio. O pastor declarou: “Falo com Flávio diretamente. Ele me escuta e me respeita. Todos os meus deputados estão no PL, por isso, não tenho como apoiar outro”. Essa declaração representa uma mudança significativa, já que Malafaia havia defendido outros nomes anteriormente.
Desafios e Oportunidades para Caiado e Zema
Enquanto isso, Ronaldo Caiado tem adotado uma estratégia voltada para o segmento evangélico, escalando o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) como articulador junto às igrejas. O objetivo é abrir diálogos com líderes influentes, como Edir Macedo e Robson Rodovalho, com um calendário a ser definido em breve. Enquanto isso, Romeu Zema tem se mostrado cauteloso, evitando que a religião se torne um foco central em sua campanha, mas participando de eventos pontuais para não ser esquecido pelo eleitorado religioso.
Com a aproximação de eventos e diálogos, o cenário político entre Flávio, Caiado e Zema continua em evolução, refletindo a complexidade das relações entre política e religião no Brasil contemporâneo.

