Como a Atividade Mental Ajuda na Saúde dos Idosos
Manter a mente ativa durante toda a vida é fundamental para garantir não apenas uma saúde robusta, mas também um bem-estar duradouro. Aprender novas informações e desenvolver habilidades são práticas que trazem benefícios tanto para o corpo quanto para o cérebro, e essa relação se torna ainda mais crítica quando falamos sobre a população idosa.
O aprendizado continuado desempenha um papel importante na prevenção de doenças e na mitigação de problemas de saúde. Ao manter a rede cognitiva ativa, as pessoas conseguem fortalecer a memória, melhorar a concentração e, consequentemente, reduzir os riscos associados a condições como o Alzheimer. Egídio Dórea, médico e coordenador do programa USP 60+, da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo (USP), destaca os enormes benefícios que esse processo proporciona para a saúde das pessoas.
Benefícios do Aprendizado na Prevenção de Doenças
De acordo com Dórea, indivíduos que se mantêm envolvidos no aprendizado e que se adaptam às novidades têm maior probabilidade de permanecer ativos. “Buscar e compreender novas informações muitas vezes envolve interação social, como participar de cursos presenciais ou grupos de estudos. Essas atividades não apenas estimulam o movimento, mas também ajudam a reduzir o estresse e fortalecem o sistema imunológico”, explica o médico.
Manter a mente ativa é uma estratégia eficaz para retardar ou até prevenir doenças neurodegenerativas, que causam a morte progressiva dos neurônios, atrofia cerebral e perda de funções cognitivas. Assim, o aprendizado contínuo pode contribuir para uma vida mais longa e saudável. Além disso, ao estimular a resiliência mental, hábitos saudáveis são promovidos, como a busca por informações nutricionais e a prática de exercícios físicos.
Trocas Intergeracionais e Seus Impactos
A ação de um indivíduo pode impactar positivamente a rotina de outros. “Esse aspecto é especialmente evidente no contexto familiar. As gerações mais novas, que têm acesso mais fácil à educação, estão envelhecendo de maneira mais saudável do que seus pais ou avós. Outro ponto relevante: avós que participam de cursos online ou que leem frequentemente tendem a ser mais ativos e engajados com seus netos”, ressalta Dórea. Ele complementa que essa troca entre gerações não apenas fortalece os laços familiares, mas também inspira os mais jovens a valorizarem o aprendizado.
A educação continuada também promove inclusão social e abre novas oportunidades. Aqueles que se mantêm atualizados têm mais chances de participar de atividades comunitárias, acessar novas tecnologias e até explorar novas carreiras na terceira idade. Exemplos práticos desse aprendizado incluem a realização de cursos online, a participação em clubes do livro e o aprendizado sobre novas ferramentas digitais.
Oportunidades de Aprendizado para a População Idosa
De acordo com Dórea, existem várias oportunidades gratuitas para a população da terceira idade se manter ativa, tanto física quanto mentalmente. “Diversas instituições de ensino oferecem atividades abertas para idosos. A própria USP, por meio do programa USP 60+, é um exemplo disso. A iniciativa, que é gratuita, incentiva o público idoso a compartilhar aulas com alunos da Universidade, com a liberdade de escolher as disciplinas que desejam cursar a cada semestre”, afirma.
Com a valorização do aprendizado ao longo da vida, a expectativa é que mais idosos se engajem em atividades que promovam não apenas o conhecimento, mas também a saúde física e emocional, contribuindo para uma velhice mais ativa e satisfatória.

