Ascensão de Bolsonaro: Do Desprezo à Popularidade
No início de sua trajetória política, em 2011, Jair Bolsonaro era praticamente ignorado. Em um cenário em que sua figura era mais frequentemente vista em programas humorísticos do que no noticiário sério, o deputado de baixo clero utilizava declarações polêmicas para ganhar notoriedade. Ele se posicionava contra paradas do orgulho LGBTQIA+ e defendia uma visão conservadora da família, mas suas falas eram tratadas como irrelevantes, já que ele não tinha peso nas esferas política e midiática. O cenário, no entanto, começou a mudar.
Com o passar dos anos, principalmente após 2016, Bolsonaro começou a atrair multidões nos aeroportos, sendo aclamado como “mito”. Em 2018, sua candidatura à presidência foi inicialmente ridicularizada, mas à medida que sua popularidade cresceu, muitos analistas relutaram em acreditar que ele poderia se tornar uma ameaça real. O que era visto como uma piada nas redes sociais rapidamente se transformou em uma seriedade política que culminou em sua eleição.
Pesquisas Revelam o Conservadorismo do Povo Brasileiro
Sete anos depois, novas pesquisas lançam luz sobre os fatores que levaram à ascensão de Bolsonaro como presidente do Brasil. A pesquisa da Quaest, encomendada pela TV Globo, e outra do think tank More in Common, em parceria com a Quaest, entrevistaram um total de 10 mil pessoas, uma amostra considerável e significativa. Ambas as pesquisas buscavam mapear as crenças e valores da população e chegaram a conclusões semelhantes: o brasileiro é, em sua essência, conservador.
Os dados revelam que o povo brasileiro é intensamente religioso, valoriza a família acima de tudo e sente um orgulho nacional que ultrapassa até mesmo o de americanos e europeus. O levantamento aponta que a criminalidade e a corrupção são as principais desvantagens do país, o que reflete um forte desejo por mudanças. A maioria da população concorda com declarações que reforçam a visão conservadora, como a ideia de que uma mulher deve ter filhos para se sentir realizada ou que a prática do aborto deveria ser punida.
A Influência das Ideias e do Contexto Social
Outro dado alarmante é que a insatisfação com o status quo é palpável. A pesquisa revelou que uma grande parte da população acredita que as pessoas de baixa renda não se esforçam para melhorar suas condições e que a ajuda deve ser direcionada apenas àqueles que “merecem”. Mais de 70% dos entrevistados não aceitam a homossexualidade como uma orientação válida, o que mostra uma visão bastante tradicional da sociedade. Essas visões não eram novidade nas eleições de 2018 e, segundo analistas, ajudaram a pavimentar o caminho para a vitória de Bolsonaro.
O Fracasso da Política Tradicional
Contrariando a ideia de que a força do bolsonarismo é a única razão para seu retorno nas eleições, estudos indicam que a crise da política convencional foi um fator decisivo. O apoio ao ex-presidente caiu para 12% do eleitorado, conforme as últimas pesquisas, mas a falta de alternativas viáveis dentro do espectro político fez com que o sobrenome Bolsonaro ainda se mantivesse relevante. A direita, com sua desorganização e fisiologismo, e a esquerda, dividida entre visões moralistas e incapacidade de renovação, contribuem para um ambiente político estagnado.
A combinação de todos esses elementos leva a um cenário preocupante para as próximas eleições em 2026, que corre o risco de se repetir, mas com a adição da farsa. A luta por um lugar ao sol na política brasileira continua, mas será preciso que a classe política, de ambos os lados, repense suas estratégias para evitar um novo ciclo de frustrações.

