Agressões a Profissionais Femininas no Esporte
A médica Bianca Francelino, que atuava pelo Nacional-SP durante a partida contra o Comercial, em Ribeirão Preto, foi alvo de assédio por parte de torcedores. Segundo relatos, a situação ocorreu enquanto ela prestava serviços médicos no jogo válido pela nona rodada da Série A4 do Campeonato Paulista. O episódio se tornou ainda mais preocupante em um mês que simboliza a luta pelos direitos das mulheres.
A súmula do jogo narra que torcedores, posicionado no alambrado, direcionaram ofensas misóginas à profissional. Uma das ações mais chocantes envolveu um homem que, em um ato de desprezo, fez gestos ofensivos com sua genitália. A médica, ao confirmar a ocorrência do assédio, provocou uma discussão acalorada nas arquibancadas, envolvendo familiares e outros torcedores. Esse desentendimento levou a árbitra da partida a acionar o protocolo contra misoginia, o que gerou uma interrupção de aproximadamente cinco minutos.
Nota de Repúdio das Autoridades
Em resposta ao episódio, os Ministérios do Esporte e das Mulheres emitiram uma nota conjunta, condenando com veemência o assédio a Bianca Francelino. “Mais uma vez, o futebol brasileiro se torna cenário de uma atitude intolerável. Nenhuma mulher deve ser desrespeitada enquanto exerce sua função, seja dentro ou fora dos estádios”, afirmaram.
Os Ministérios expressaram solidariedade à médica e enfatizaram que o assédio é uma forma de violência que deve ser combatida com rigor. “O ambiente esportivo deve ser um espaço de respeito e segurança para todos”, ressaltaram, destacando a importância do protocolo de enfrentamento ao assédio que foi adotado durante a partida.
Além disso, as autoridades esperam que as investigações sejam conduzidas com seriedade para que os responsáveis sejam punidos adequadamente.
Investigação em Andamento
O caso já está sendo investigado pelo Ministério Público, que identificou dois torcedores envolvidos, cujos nomes ainda não foram divulgados. Eles podem ser responsabilizados por três crimes: ato obsceno, provocação de tumulto em evento esportivo e ameaça. As penas para esses delitos, somadas, podem atingir até dois anos de prisão.
O promotor responsável pelo caso informou que pretende solicitar ao juiz do Juizado Especial Criminal (Jecrim) uma audiência preliminar nos próximos dias. Durante essa audiência, será sugerida a proposta de uma transação penal, que permitiria encerrar o processo sem abertura de um processo criminal, desde que os envolvidos concordem em cumprir certas condições.
“A proposta inclui uma punição de dois anos de proibição de comparecer a eventos esportivos, além de realização de serviços comunitários em Ribeirão Preto. Isso deve ocorrer em dias de jogos do Comercial, com tarefas programadas antes e após as partidas”, explicou o promotor.
Consequências e Colaboração do Clube
Os torcedores serão responsabilizados por suas ações, sendo que um dos principais crimes, ato obsceno, refere-se ao gesto indecente dirigido à médica. A provocação de tumulto também foi considerada devido ao confronto que se instaurou nas arquibancadas após o assédio. Por último, a ameaça envolve intimidações direcionadas ao namorado da médica e seu pai.
O clube Comercial, por sua vez, colaborou com a Justiça e, segundo informações, torcedores de uma das organizadas ajudaram na identificação dos envolvidos. De acordo com o promotor, é provável que o clube não enfrente punições, mas a necessidade de uma resposta exemplar para os agressores é inegável.
“Aqueles que cometem atos dessa natureza contra uma mulher em seu local de trabalho não merecem estar em um estádio de futebol”, concluiu o promotor, sublinhando a urgência de ações efetivas contra o assédio no ambiente esportivo.

