Protesto por Justiça e Segurança no Trânsito
Durante uma manifestação em Ribeirão Preto, o desespero de Albertino da Silva Filho ecoou entre os participantes. “Não tenho mais lágrimas para chorar”, disse ele, pai de Guilherme da Silva Maia, um menino de apenas 6 anos que perdeu a vida após ser atropelado por um motorista que fugiu da cena. O acidente, que ocorreu no dia 1º de janeiro, também deixou a mãe de Guilherme, Eliene de Santana Maia, gravemente ferida.
O homem de 25 anos, que se apresentou à Polícia Civil na tarde de sexta-feira (2), negou ter ingerido álcool antes de dirigir. No entanto, Albertino não acredita em sua versão. “Esse cara estava embriagado. Ele mesmo disse que estava vindo de duas festas e ia para uma terceira. Você acha que ele não bebeu nada?”, desabafou o pai durante o protesto, que aconteceu em frente a um posto de combustíveis, nas proximidades do local do acidente.
Guilherme, que estava internado em estado crítico no Centro de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital das Clínicas, teve a morte confirmada neste domingo. O velório e o enterro do menino estão agendados para a manhã de segunda-feira (5) em Bonfim Paulista, onde ele residia.
Demandas por Segurança e Responsabilidade
A manifestação, que durou cerca de uma hora, uniu moradores da região que exigiram não apenas a punição para o motorista, mas também melhores medidas de segurança no trânsito local. Carla Renata Sanchez, uma das participantes, destacou a imprudência que se tornou comum na área. “A gente mora há anos aqui e muitos não têm transporte, precisam andar a pé e os carros não respeitam. O que aconteceu com a mãe e o Guilherme é uma falta de respeito com a vida humana”, desabafou.
Outra moradora, Bruna Cassiano, afirmou que as condições do trânsito são perigosas, especialmente para crianças. “Todo dia eu caminho com meu filho até a escola. Aqui tinha que ter no mínimo um pontilhão para atravessar com segurança”, lamentou.
Os Detalhes do Acidente
As circunstâncias do atropelamento foram capturadas por câmeras de segurança. A tragédia ocorreu na Rua Professor Felisberto Almada, perto da Rodovia José Fregonezi, quando o carro que se aproximava atingiu a mãe e o filho enquanto caminhavam pelo acostamento. Testemunhas relataram que tentaram alertar o motorista, mas ele ignorou os avisos e fugiu em direção à cidade.
Eliene sofreu múltiplas fraturas e permanece internada, enquanto Guilherme não resistiu aos ferimentos. O motorista, que se apresentou à polícia após o ocorrido, alegou que se distraiu com a central multimídia do carro e pensou que havia colidido com um guard-rail, razão pela qual não prestou socorro às vítimas. Ele foi liberado após o depoimento.
A tragicidade desse acidente levanta questões urgentes sobre a responsabilidade no trânsito e a necessidade de medidas eficazes para garantir a segurança de todos. O clamor por justiça de Albertino ressoa não apenas em Ribeirão Preto, mas em todas as comunidades que enfrentam problemas semelhantes, onde a imprudência no trânsito ameaça vidas inocentes.

