Um Aumento Alarmante
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um relatório preocupante que aponta um aumento alarmante de 23% nas mortes atribuídas ao calor nos últimos 35 anos. Essa elevação significa que, atualmente, cerca de 546 mil pessoas morrem anualmente devido a altas temperaturas. O professor Nelson Gouveia, da Faculdade de Medicina da USP, esclarece as causas que contribuem para essa tendência inquietante.
Segundo Gouveia, as emissões contínuas de gases do efeito estufa são um dos principais fatores responsáveis pelo aumento das temperaturas globais. “O aquecimento global propicia um aumento na frequência e intensidade das ondas de calor. Com isso, a população é exposta a essas condições extremas, resultando em impactos significativos na saúde”, explica. Ele também observa que as medidas de adaptação ainda são insuficientes para enfrentar essa crescente ameaça climática.
Outro ponto destacado pelo professor é a urbanização. À medida que as cidades se expandem, surgem as chamadas ilhas de calor, que não apenas elevam as temperaturas locais, mas também aumentam a mortalidade da população. Portanto, é evidente que os efeitos das mudanças climáticas reverberam nas condições de vida nas áreas urbanas.
Quem Está em Risco?
Gouveia alerta que as altas temperaturas afetam mais gravemente certos grupos vulneráveis. “Crianças e idosos são os mais impactados. As crianças têm um sistema de termorregulação ainda em desenvolvimento e são mais propensas à desidratação, dependendo dos cuidados de adultos. Por outro lado, os idosos, frequentemente com doenças crônicas, perdem a capacidade de regular a temperatura corporal à medida que envelhecem”, comenta ele.
Além desses grupos, os trabalhadores que atuam ao ar livre também enfrentam riscos elevados. Eles estão expostos constantemente ao calor intenso, o que aumenta suas chances de sofrer problemas relacionados à temperatura.
Ações Necessárias para Mitigação
Em face desse cenário alarmante, Gouveia enfatiza a necessidade de ação por parte do poder público. “Uma das principais medidas que devem ser adotadas é a criação e implementação de planos de ação para enfrentar ondas de calor extremo. Isso envolve monitoramento, protocolos de alerta e comunicação eficaz com a população”, sugere.
Além disso, o especialista propõe ações urbanas que podem contribuir para a mitigação dos efeitos do calor, como aumentar áreas verdes e fortalecer os sistemas de saúde. É fundamental que os profissionais de saúde sejam treinados para reconhecer rapidamente os sinais de estresse térmico e os impactos fisiológicos causados pelo calor extremo. “Fazer esse reconhecimento e tratamento adequado é vital para proteger os grupos de risco”, afirma Gouveia.
Por fim, o professor ressalta a importância de ações contra as mudanças climáticas, como a redução das emissões de gases de efeito estufa, para que o aumento da temperatura não chegue a níveis tão perigosos como vem sendo previsto. Assim, além de proteger a saúde da população, serão dados passos importantes na luta contra as consequências do aquecimento global.

