Um Carnaval de Resistência e Alegria
Neste sábado, 21 de outubro, o Movimento Antirracista Sorocabano (MAS) dá início à primeira edição do Bloco do MAS, um marco para a cidade de Sorocaba (SP) ao trazer o primeiro bloco de carnaval com uma pauta antirracista. O desfile acontecerá na Avenida Doutor Eugênio Salerno, no coração do Centro, e visa celebrar a rica cultura afro-brasileira, a diversidade e a mobilização social, reafirmando a presença da comunidade negra nas ruas da cidade.
O evento é gratuito e tem caráter independente, organizado pelo MAS. Desde 2021, o coletivo se dedica a ações de educação antirracista, promoção da mobilização comunitária e valorização de artistas negros e periféricos, proporcionando um espaço onde a cultura e a identidade afro-brasileira possam ser celebradas abertamente.
De acordo com Giovanna Souza Pereira, organizadora do MAS, a ideia de criar um bloco que celebrasse a cultura afro-brasileira sempre esteve presente no movimento. “O carnaval, culturalmente, é uma festa preta. Ele nasceu da criatividade, resistência e expressão do nosso povo. Porém, ao longo do tempo, essa origem foi, em muitos casos, ofuscada. Ao trazer um bloco antirracista para Sorocaba, buscamos recuperar essa narrativa e afirmar que a cidade pode e deve celebrar essa herança com respeito e identidade”, explica.
Memória e Identidade na Folia
Historicamente, blocos e ritmos populares representam um espaço de afirmação de identidade e resistência. Em Sorocaba, essa presença se manifesta também em eventos e feiras que celebram a música, a arte e a herança africana da região. O Bloco do MAS é uma extensão dessa memória, reforçando a ocupação das ruas como um ato de afirmação histórica.
“Quando se fala da população preta, o que chega na mídia é frequentemente dor e violência. Isso é parte da realidade, mas não é a totalidade do que somos”, observa. O bloco tem como proposta mostrar o lado festivo dessa população: um lado repleto de criatividade, música, união, ancestralidade e sorrisos.
“Alegria também é política. E celebrar é um ato revolucionário”, complementa a organizadora, que ressalta a importância de um espaço que dialogue com as vivências da comunidade local.
Expectativa de Grande Público e Celebração da Diversidade
A expectativa é que cerca de 500 pessoas participem do evento, que iniciará sua concentração às 18h na Avenida Doutor Eugênio Salerno, com apresentações de artistas como MC Aprile, Murilo Orum e DJ Barbosa. O desfile está programado para começar às 20h30, seguindo em direção à Rua Frei Baraúna, com previsão de término às 22h.
O repertório do bloco promete ser eclético, incluindo ritmos como samba-reggae, axé, pagode baiano e marchinhas afro-brasileiras, além de releituras de sucessos do carnaval. O objetivo é criar um ambiente festivo que não apenas celebre a identidade afro-brasileira, mas que também amplie a diversidade cultural da cidade.
A organização acredita que essa iniciativa pode pavimentar o caminho para novos coletivos. “O primeiro movimento sempre abre portas. Quando as pessoas veem um bloco que celebra a cultura preta e que mantém um compromisso com o antirracismo, isso serve de inspiração para que outros grupos tirem suas ideias do papel”, argumenta Giovanna.
Além de promover a cultura negra, o bloco se apresenta como um espaço inclusivo, pronto para acolher a comunidade LGBTQIA+, pessoas trans e não binárias, e todos que defendem um carnaval mais diverso e representativo. Essa é uma grande oportunidade de celebrar a diversidade e reafirmar a luta por igualdade em um dos eventos mais tradicionais do Brasil.

