Setores em Risco: Varejo, Educação e Marketing
O Brasil enfrenta uma crise crescente de saúde mental, evidenciada pelo aumento no número de afastamentos devido a transtornos mentais em 2025. Com a iminente atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que deve entrar em vigor em maio, cresce o debate sobre o burnout, uma condição que se torna uma preocupação central para gestores, impactando diretamente a saúde dos colaboradores, a produtividade e a sustentabilidade das empresas.
Desde 2019, a Organização Mundial da Saúde reconhece o burnout como uma síndrome oriunda do estresse crônico no ambiente de trabalho que não foi adequadamente tratado. As três dimensões que caracterizam essa condição são: a sensação de exaustão extrema, o distanciamento mental ou cinismo em relação às atividades laborais e a diminuição da eficácia no trabalho. Segundo os autores do relatório sobre a NR-1, divulgado pela HR Tech Gupy, o burnout deve ser encarado como um fenômeno laboral, deslocando o foco da “fragilidade individual” para as condições organizacionais que alimentam esse estado.
Uma pesquisa revelou que cerca de 40% dos profissionais atualmente indicam estar em risco psicossocial, enfrentando problemas como ambientes tóxicos, altas demandas de trabalho e jornadas extensas e imprevisíveis que podem culminar no burnout. Os dados são alarmantes e refletem a realidade em diversos segmentos: 58,73% dos funcionários de pequenas empresas, 53,60% de médias, 58,85% de grandes e 45,90% de companhias muito grandes estão sob essa pressão.
Sinais de Alerta em Diferentes Setores
A prevalência de sinais de exaustão apresenta variações significativas conforme o setor analisado. De acordo com o levantamento, os maiores índices de respostas críticas para burnout foram encontrados no varejo e atacado (10,79%), seguidos pela educação (9,87%) e marketing, publicidade e comunicação (9,67%). “Essas áreas exigem um contato intenso com o público, impõem ritmos acelerados e frequentemente estabelecem metas desafiadoras, com jornadas muitas vezes irregulares”, observam os pesquisadores. Para mitigar esses efeitos negativos, é essencial que as lideranças priorizem a gestão adequada da carga de trabalho, ofereçam pausas regulares, suporte emocional e promovam um ambiente de segurança psicológica.
Embora setores como o financeiro apresentem percentuais menores de risco, isso não deve ser interpretado como uma ausência de problemas. “Essa questão pode estar subnotificada, uma vez que nem todos os profissionais se sentem confortáveis em relatar suas experiências de burnout”, explica Gil Cordeiro, especialista em pesquisa e tendências da Gupy. “Mesmo que os percentuais sejam baixos, já indicam pessoas em risco, o que pode impactar negativamente o clima organizacional, o desempenho e a rotatividade de funcionários.”
A pesquisa realizada pela Gupy analisou dados de engajamento entre maio de 2025 e fevereiro de 2026, destacando os percentuais de respostas consideradas críticas (notas abaixo de 5,0) em relação à exaustão e burnout. Embora o estudo não procure medir a prevalência oficial da síndrome no país, ele serve como um importante indicativo dos riscos entre diferentes setores. “Na verdade, o número de casos pode ser ainda maior, já que o burnout frequentemente se manifesta por meio de sinais indiretos, como queda no engajamento, afastamentos e aumento na rotatividade de funcionários, antes de ser identificado de forma explícita”, alerta.
Os Setores Mais Afetados pela Exaustão no Brasil
O estudo também apresentou uma lista dos setores com maior concentração de profissionais na faixa crítica de exaustão:
- Varejo e Atacado: 10,79%
- Educação: 9,87%
- Marketing, Publicidade e Comunicação: 9,67%
- Hotelaria e Restaurante: 9,55%
- Setor Público / ONGs: 9,14%
- Arte e Lazer: 8,38%
- Serviços de Saúde: 7,15%
- Consultoria: 6,04%
- Indústria: 5,40%
- Tecnologia e Software: 4,95%
- Transporte e Logística: 4,86%
- Agronegócio: 4,70%
- Serviços: 4,58%
- Governo e Órgãos Públicos: 4,42%
- Construção Civil: 3,82%
- Utilidade Pública (energia, água, telefonia etc.): 3,7%
- Financeiro: 3,2%

