Sistemas Sustentáveis e Inovadores
A cafeicultura na Alta Mogiana, em Franca (SP), está passando por uma revolução. Em vez de monoculturas tradicionais, muitos produtores estão adotando práticas que incluem a agrofloresta e o cultivo orgânico, promovendo um plantio mais sustentável e respeitoso com o meio ambiente. A equipe do EPTV nas Férias visitou duas propriedades que exemplificam essa nova abordagem.
No Sítio Santa Terra, em Patrocínio Paulista, áreas antes degradadas deram lugar a uma floresta produtiva, onde o café cresce entre diversas outras espécies de plantas. Em uma fazenda centenária na cidade de Franca, quase meio milhão de pés de café são cultivados exclusivamente de maneira orgânica.
Entre janeiro e fevereiro, a EPTV apresenta o ‘EPTV nas Férias’, uma série de reportagens que explora quatro rotas turísticas, incluindo a rota do café em Ribeirão Preto.
Uma Nova Abordagem no Cultivo do Café
No Sítio Santa Terra, o cultivo do café se dá em meio a uma variedade de espécies, sem a formação de fileiras isoladas. Este modelo agroflorestal, segundo o agricultor Anderson Arcanjoleto, é inspirado em práticas ancestrais e busca reproduzir os processos naturais de uma floresta. O café, que se originou em regiões sombreadas da Etiópia, se beneficia de luz filtrada e da proteção oferecida por outras árvores.
“A agrofloresta já é praticada pelos povos originários há mais de 15 mil anos. Tentamos replicar os processos naturais de uma floresta, onde várias plantas coexistem, cada uma desempenhando um papel no sistema. O nosso foco, claro, é o café”, ressalta Arcanjoleto.
No Sítio, convivem com os pés de café banana, eucalipto, leguminosas, jatobá, jequitibá, guanandi, entre outras espécies, que colaboram para enriquecer o solo e manter a umidade do ambiente.
Esse modelo integrado elimina a necessidade de agrotóxicos e fertilizantes químicos, conforme explica o agricultor: “Com mais de uma espécie plantada, o pequeno agricultor não depende exclusivamente de uma única cultura e podemos iniciar a safra sem ter que comprar insumos”. Impressionantes 97% da colheita é classificada como café especial, superando a exigência mínima para este tipo de café.
O Sítio também se tornou um ponto de atração para turistas, estudantes e outros agricultores, oferecendo visitas guiadas, vivências e cursos sobre agrofloresta. “Realizamos atividades para famílias e educação ambiental. Cada visita proporciona experiências únicas, e outros produtores estão aprendendo a aplicar esse modelo em suas propriedades”, destaca Angélica Martins Fassirolli, também agricultora no local.
As visitas possuem um custo inicial de R$ 75 por pessoa, e há pacotes especiais para grupos escolares. O curso de agrofloresta, que dura quatro dias, tem um investimento de R$ 880.
Café Orgânico em Grande Escala
Na cidade de Franca, a cafeicultura sustentável é vista em uma escala diferente, em uma fazenda centenária que abriga uma das maiores áreas de café orgânico da região. Com 120 hectares, a propriedade cultiva quase meio milhão de pés de café sem utilizar agrotóxicos ou fertilizantes sintéticos.
Gustavo Leonel, da terceira geração da família que administra a fazenda, destaca a importância das certificações que garantem a conformidade ambiental da produção. “Para ser considerada produtora de café orgânico, a fazenda precisa passar por uma rigorosa certificação e auditoria. Isso significa que a planta nunca teve contato com agroquímicos. A sustentabilidade é fundamental para a conservação do solo, da água e da vegetação nativa”, afirma.
O compromisso com o cuidado do solo e da água já fazia parte da cultura da fazenda antes mesmo da obtenção da certificação oficial. O maior desafio atualmente é manter uma produção orgânica em larga escala, especialmente com as variações climáticas.
Atualmente, os pés de café estão em uma fase crucial de crescimento dos grãos, que é vital para a colheita. A irrigação controlada e o uso de substratos orgânicos são essenciais para manter a saúde das plantas. “Esse período é decisivo, e a irrigação é fundamental para a agricultura orgânica. Sem água, não há como garantir a sobrevivência das culturas”, ressalta Gustavo.
A fazenda, que também faz parte da ‘Rota do Café’, recebe visitantes interessados em aprender sobre todo o processo produtivo, desde o plantio até a xícara. O passeio inclui visitas a lavouras, áreas de pós-colheita, e experiências sensoriais que enriquecem a compreensão sobre a cafeicultura.
“Café é minha paixão e uma experiência maravilhosa. Uma vez que isso se torna parte da sua vida, é difícil ficar sem”, conclui Gustavo.

