Campanha Publicitária e Reações Políticas
A recente campanha das Havaianas, estrelada pela atriz Fernanda Torres, desencadeou uma onda de reações entre grupos políticos no Brasil, especialmente da direita. No comercial, Torres menciona que não deseja que as pessoas comecem 2026 “com o pé direito”, uma frase popular associada à sorte. Contudo, essa declaração foi interpretada por alguns políticos e influenciadores como uma crítica velada ao seu grupo, levando a um pedido de boicote à marca.
A atriz expressou em seu discurso publicitário: “Desculpas, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não é nada contra a sorte, mas vamos combinar que sorte não depende de você. Depende da sorte. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés. Os dois pés na porta, os dois pés na estrada. Os dois pés na jaca. Os dois pés onde você quiser — vai com tudo. De corpo e alma, da cabeça aos pés. Havaianas, todo mundo usa.” A fala, embora aparentemente leve, trouxe à tona acalorados debates na internet sobre a ligação entre publicidade e ideologia política.
A Reação nas Redes Sociais
Nas plataformas sociais, apoiadores da direita criticaram a decisão da marca de misturar sua publicidade com mensagens de cunho político. Muitos internautas começaram a sugerir que substituíssem as Havaianas por outras marcas no mercado, alegando um viés esquerdista na campanha. Desde a sua publicação, realizada em 18 de outubro, o vídeo já alcançou mais de 6 milhões de visualizações apenas na aba Reels do Instagram da Havaianas, deixando os usuários se perguntando sobre a visibilidade do conteúdo, que não aparece no feed principal da marca.
As assessorias de Fernanda Torres e da Havaianas foram abordadas pela equipe do G1, mas não se pronunciaram até o fechamento desta edição. A pressão crescente nas redes sociais gerou um burburinho que não passou despercebido por figuras públicas. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), por exemplo, lançou uma crítica no X (anteriormente Twitter): “Havaianas, nem todo mundo agora vai usar”, fazendo uma referência direta ao famoso slogan da marca.
Críticas de Parlamentares e Onda de Humor
Outro parlamentar, Eduardo Pazuello (PL-RJ), fez ecoar suas críticas ao afirmar que a marca optou por provocar divisões em um período que deveria ser de união e reconciliação, particularmente durante o Natal. Ele escreveu: “Que vergonha! Em pleno Natal, tempo de união, respeito e reconciliação, a Havaianas escolhe usar o marketing para provocar e dividir, sugerindo ‘não começar o ano com o pé direito’. Isso não é criatividade. É um desserviço à sociedade.”
Como já é comum nas redes sociais brasileiras, a situação rapidamente tomou um rumo humorístico, transformando-se em memes. Usuários começaram a compartilhar montagens e piadas sobre a controvérsia, o que intensificou ainda mais a repercussão do comercial. O episódio ilustra como uma simples campanha publicitária pode gerar debates acalorados e engajamento nas plataformas sociais.
O fenômeno do boicote às Havaianas, que começou entre militantes conservadores, revela a sensibilidade política actual no Brasil, onde até campanhas de marketing podem se tornar questões polarizadoras. O humor, por sua vez, serve como um alívio em meio a tanta tensão, mostrando que, mesmo em meio a controvérsias, a criatividade da internet pode encontrar formas de transformar críticas em risadas.

