Crescimento alarmante de casos exige conscientização e cuidados diários
O Brasil está enfrentando um aumento preocupante no número de casos de câncer de pele, com diagnósticos que cresceram impressionantes 1.500% em uma década. Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia revelam que, enquanto em 2014 o país registrava pouco mais de 4 mil novos casos, em 2024 esse número saltou para mais de 72 mil. Entre os fatores que contribuem para essa elevação, o professor Bruno Fantini, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, destaca a diferença nas práticas de proteção solar ao longo dos anos.
“Antigamente, expor-se ao sol era uma prática comum, tanto no trabalho quanto no lazer, e o uso de protetor solar era raramente mencionado. Nossa pele possui ‘memória’ e os efeitos da radiação podem levar décadas para se manifestar, por isso, agora estamos vendo esse aumento nos diagnósticos”, afirma Fantini. O envelhecimento da população também é um fator relevante, uma vez que a expectativa de vida maior significa que mais pessoas atingem idades em que as consequências da exposição solar se tornam visíveis.
Os dados mostram que os estados do Sul e do Sudeste do Brasil lideram em registros de novos casos de câncer de pele. O professor Fantini ressalta que isso se deve, em parte, à genética. “Essas regiões abrigam uma população com pele mais clara, que é naturalmente mais suscetível ao sol. Além disso, o acesso facilitado a exames médicos resulta em um maior número de diagnósticos”, explica.
Diagnósticos e a importância do tratamento precoce
A crescente incidência de câncer de pele não só reflete um aumento nos diagnósticos, mas também levanta questões sobre a mortalidade associada à doença. A Sociedade Brasileira de Dermatologia observa que, apesar da melhoria na identificação dos casos, mais de 30 mil óbitos foram registrados em uma década. Fantini enfatiza que o tratamento precoce pode fazer toda a diferença: “Quanto mais cedo identificamos o câncer de pele, maior é a chance de cura. O tratamento inicial é muitas vezes simples e deixa cicatrizes mínimas. Por outro lado, esperar por ajuda pode levar a um tumor maior e complicações graves.”
O câncer de pele é um dos tipos mais diagnosticados no Brasil, representando cerca de 30% dos tumores malignos no país. No entanto, muitos mitos cercam o diagnóstico e tratamento da doença, reforçando a necessidade de conscientização. Para o professor, a saúde pública deve avançar em três áreas cruciais. “Primeiro, precisamos educar as crianças nas escolas sobre como se proteger do sol. Em segundo lugar, o acesso ao dermatologista deve ser facilitado, promovendo diagnósticos mais rápidos. Por último, as campanhas de prevenção devem ocorrer durante todo o ano, não apenas no verão, pois a informação é vital para salvar vidas”, destaca.
Cuidados diários e atenção à saúde da pele
Com o aumento das estatísticas e suas implicações na saúde pública, é essencial que as pessoas adotem práticas diárias para a prevenção do câncer de pele. Fantini aconselha: “Cuidem da sua pele todos os dias, mesmo quando não estão na praia. O uso de protetor solar deve ser uma rotina, com reaplicações a cada quatro horas. Além disso, evitem a exposição ao sol entre 10h e 16h, horários em que a radiação UV é mais intensa.”
Ele também enfatiza a importância da autoavaliação da pele. “Se você perceber uma pinta que mudou de cor ou forma, ou uma ferida que não cicatriza, busque atendimento médico imediatamente. O tempo pode diferenciar um tratamento simples de uma cirurgia complexa, e muitas vezes, essa diferença está na detecção precoce.”

