Um Refúgio de Integração e Sustentabilidade
Em Ribeirão Preto, o psicólogo Leandro Gabarra converge saúde mental, cultura e práticas ecológicas em um espaço inovador: a Casa Comum. Ali, cada elemento, até mesmo uma poça d’água, carrega um significado profundo. Essa abordagem reflete um respeito pelo tempo da natureza, que se opõe à pressa e à agitação urbana. Com mais de 20 anos de experiência em trabalho social, especialmente com adolescentes em áreas vulneráveis, Leandro tem dedicado sua vida a promover o bem-estar em contextos de exclusão. “Sempre em lugares mais vulneráveis”, ele resume sua trajetória.
A Casa Comum surgiu da antiga residência da família de Leandro, que, após a pandemia, foi reimaginada como um espaço colaborativo. Essa transformação vai além de um mero uso individual da propriedade; ela busca reverter a lógica de especulação imobiliária e transformá-la em um bem coletivo essencial, conforme a Constituição Federal prevê. Atualmente, o local oferece psicoterapia, oficinas de teatro, cerâmica, música e encontros que entrelaçam arte, saúde mental e educação. Localizada na Avenida Caramuru, Jardim Sumaré, a Casa Comum é um exemplo claro de uma economia solidária, onde aqueles que podem contribuir mais ajudam a sustentar aqueles que não têm condições financeiras. “É uma economia da troca, não da especulação”, enfatiza Leandro.
Um Novo Olhar Sobre o Território
Reduzir a Casa Comum a um simples centro de atendimento não faz justiça ao que realmente acontece ali. Este espaço promove um modo de existir em harmonia com o meio ambiente. Por exemplo, alimentos são cultivados sem o uso de venenos, e o conceito de lixo é reimaginado. O que seria descartado é transformado: folhas servem como adubo, restos se tornam compostagem, e materiais recicláveis são direcionados a cooperativas, gerando renda e contribuindo para a sustentabilidade. A água da chuva, em vez de ser desviada, infiltra-se, nutre a terra e ensina sobre a importância de cada elemento no ciclo da vida. O objetivo é redefinir a forma como as pessoas se relacionam com o seu entorno, instigando-as a se sentirem parte integrante do espaço. “Queremos que as pessoas se sintam parte desse lugar”, afirma Leandro.
A Casa Comum atrai mensalmente cerca de 200 visitantes, muitos deles jovens que não teriam acesso a terapia ou que enfrentam dificuldades financeiras até mesmo para o transporte. O espaço se torna um ponto de encontro para artistas em formação e todos que buscam um tempo diferente, uma pausa necessária na correria do dia a dia. Às vezes, a busca é apenas por um respiro em meio ao caos cotidiano.
Coletividade e Cuidado
Leandro Gabarra evita assumir um protagonismo individual nesta jornada. Ele prefere enfatizar a coletividade: “Aqui tem muitos bravos”, costuma enfatizar. Contudo, sua influência é inegável, permeando todos os aspectos do espaço — desde o cuidado clínico à recusa de práticas prejudiciais ao meio ambiente, passando pela promoção do uso social da terra. Em um mundo que valoriza o consumo rápido e o descarte, a Casa Comum oferece uma alternativa ao encorajar a permanência, o reaproveitamento e o cuidado mútuo.
A proposta de Leandro e da Casa Comum é um convite à reflexão sobre novas formas de convivência e a importância de cuidar do meio ambiente. Em tempos onde tudo parece acelerado e superficial, a ideia de estabelecer conexões, seja com as pessoas ou com a natureza, se torna um alicerce vital. É nesse espírito que a Casa Comum não apenas transforma vidas, mas também ressignifica o tempo e o espaço.

