Uma paixão herdada
Colecionar camisas de futebol é uma prática comum entre os fãs mais apaixonados, mas Vinícius Cazatti, um pintor de 30 anos, decidiu levar essa paixão a um novo patamar. Ele tem em sua casa exatamente 335 camisas do Clube Atlético Taquaritinga, uma equipe que atualmente disputa a Série A4 do Campeonato Paulista e que não frequenta a elite do futebol do estado desde 1993, ano em que Vinícius nasceu.
A relação de Vinícius com o clube vai além da simples paixão. Sua família tem uma longa história ligada ao Taquaritinga. Os avós e o pai dele dedicaram anos ao time da cidade que leva o mesmo nome e que conta com pouco mais de 50 mil habitantes na região de Ribeirão Preto, em São Paulo.
“Meu avô foi zelador do antigo estádio, e minha avó trabalhou como lavadeira do CAT durante muitos anos. Muitas das camisas que possuo passaram pelas mãos dela, que sempre cuidou do uniforme com carinho. Além disso, meu pai atuou como roupeiro por muito tempo”, relembra Vinícius, mostrando o quanto o amor pelo clube é uma herança familiar.
Busca incansável por camisas raras
Curiosamente, apesar de toda essa conexão familiar com o clube, nenhuma das camisas de sua coleção foi um presente dos parentes. Vinícius conquistou seus uniformes por meio de incansáveis buscas e garimpos. “O que meus familiares me deixaram foi o amor pelo clube. O resto eu conquistei na raça”, brinca o colecionador.
A busca por camisas raras leva Vinícius a situações inusitadas. Ele revela que já fez investimentos significativos para adquirir algumas peças, incluindo uma que custou R$ 1 mil. Além disso, teve momentos engraçados, como quando abordou um homem que andava de bicicleta usando uma camisa do CAT. “Eu me aproximei e contei minha história. Na época, ele estava indo pagar uma conta e ficou em dúvida se deveria me dar a camisa, pois não sabia como iria voltar para casa. Eu ofereci a minha e consegui a camisa que tanto queria”, conta Vinícius, com um sorriso no rosto.
Camisas que marcam histórias
Entre as mais de 300 camisas que compõem sua coleção, algumas têm valor especial para Vinícius. Ele destaca com carinho as camisas de 1982 e 1992, anos que foram marcantes para o CAT, pois o clube conseguiu o acesso à primeira divisão do Campeonato Paulista. “A camisa de 82 é meu xodó. Foi mais de uma década de buscas. Procurei ex-jogadores, familiares e colecionadores até que, finalmente, encontrei um colecionador em Santa Catarina. Depois de iniciar a conversa, levei mais cinco ou seis anos até conseguir trazê-la para a minha coleção”, relata o torcedor, revelando o quanto cada peça carrega uma história única.
Um amor que perdura
O Taquaritinga já esteve presente na primeira divisão do Campeonato Paulista em três oportunidades: 1983, 1984 e 1993. Hoje, o clube luta na Série A4, mas as lembranças gloriosas do passado e a esperança de um futuro melhor continuam vivas no coração dos torcedores, como Vinícius. “A história está aqui [na coleção]. O CAT sobrevive do amor e da tradição. Todos nós sonhamos em ver o time brilhar novamente na primeira divisão. E esse amor é algo que quero passar para futuras gerações”, afirma com emoção.
Entretanto, Vinícius admite que ainda há lacunas em sua coleção, pois algumas camisas antigas, especialmente das décadas de 40, 50 e 60, são praticamente impossíveis de serem encontradas. “As camisas da época eram feitas para um jogo específico e, muitas vezes, acabaram se perdendo ou destruídas. A venda de camisas, como conhecemos hoje, começou apenas nos anos 90. Se eu conseguir mais dez ou quinze camisas que sei que existem, minha coleção estará completa”, conclui Vinícius, refletindo sobre sua jornada como colecionador e a relação que mantém com o CAT.

