Confusão no Cadastro do SUS
Um caso inusitado ocorreu em Ribeirão Preto (SP), onde Guelfo de Favari Júnior, um comerciante, descobriu de forma surpreendente que estava oficialmente registrado como morto no sistema do SUS. O incidente aconteceu na última quarta-feira (25), quando ele foi a uma farmácia para retirar um medicamento do programa Farmácia Popular, do governo federal.
“Chega a ser engraçado isso, porque sou uma viúva de marido vivo. É muito constrangedor. A gente às vezes, no dia a dia, poupa ele de nervoso, por conta do problema cardíaco que ele tem. Ele chegou aqui em casa apavorado. Eu fui com ele na farmácia para confirmar realmente, e o farmacêutico falou: ‘não, está suspenso seu CadSUS por conta que você está morto’”, revelou Valéria, esposa de Guelfo.
A preocupação de Valéria ultrapassa a questão dos medicamentos. Segundo ela, o verdadeiro risco está na possibilidade de que, em uma emergência, o cadastro do marido inativo possa impedi-lo de receber atendimento necessário. “O problema não é o valor do remédio, porque a gente dá um jeito e compra. O problema é o que pode acontecer amanhã se ele precisar de uma internação, ou uma cirurgia que só o SUS pode fornecer. Ele não vai ter como usar. Foi isso que nós escutamos da Ouvidoria”, enfatizou Valéria.
Os comerciantes Guelfo de Favari Júnior e Sandra Valéria Souza, enredados em uma situação perplexa, enfrentam agora um dilema administrativo e emocional.
A Confusão Começou com um Óbito
A confusão teve início em dezembro de 2024, após a morte do pai de Guelfo, que faleceu no dia 4 daquele mês. Como o filho responsável pelo registro do óbito, Guelfo apresentou a documentação necessária no cartório no dia 16. “Ele [o pai] faleceu no dia 4 de dezembro de 2024 e eu entrei com a documentação do óbito no cartório dia 16. No dia 15, eles me cortaram, trocaram tudo. Ninguém sabe explicar o que está acontecendo. Se fui eu que pedi a certidão de óbito dele, que fui até o cartório, como eu poderia estar morto?”, questionou Guelfo, perplexo com a situação.
Apesar de ter conseguido comprar os medicamentos que precisava ao longo de 2025, a situação mudou drasticamente uma semana atrás, quando ele tentou retirar uma medicação contínua. Ao chegar à farmácia, foi informado pelo atendente que não poderia retirar os remédios para arritmia e pressão alta, pois seu nome constava como falecido no sistema do governo federal.
“Quando me disseram isso, falei: olha, está tendo um engano, porque o nome dele [pai] é o mesmo que o meu, o meu só vem Júnior no final. O que aconteceu é que uma pessoa baixou meu nome nessa data, só que eu estava dando o óbito do meu pai. Aí me deram como morto”, explicou o comerciante, ainda em estado de choque.
Buscando Solução para o Problema
Nos dias que se seguiram, Guelfo fez diversas tentativas para resolver o erro no cadastro. “É constrangedor e eu não sei se o que pode acontecer agora. Ninguém sabe explicar onde resolve esse problema, não acha essa pessoa que baixou [o cadastro no sistema]. Ontem [segunda-feira] fiquei o dia inteiro em mais de oito departamentos. A gente não chega em um contexto desse problema”, lamentou.
Inconformado, Favari Júnior registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e a família planeja acionar a Justiça. “Alguém vai ter que responder por isso”, afirma Sandra, que se mostra determinada em buscar uma solução para a situação do marido.
O Ministério da Saúde foi procurado e reconheceu o erro no cadastro do paciente no SUS, informando que a situação já foi devidamente corrigida. A Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto também confirmou que os dados estão corretos após a reclamação da família.
Este episódio levanta questões sobre a eficiência dos sistemas de saúde e a necessidade de um acompanhamento mais rigoroso nos cadastros, para evitar que casos bizarros como esse se repitam.

