Análise das Ações Controversas de Trump
O começo de 2026 apresenta um cenário preocupante no campo político norte-americano. Centralizando as tensões está a postura do presidente Donald Trump, que se aproxima do segundo ano de seu segundo mandato, promovendo ações tanto internas quanto externas que têm potencial para intensificar conflitos, tanto com a população dos EUA quanto com outros países.
Após sua reeleição, analistas notaram que Trump se sentia mais à vontade para implementar suas políticas em comparação com seu primeiro mandato. Essa confiança ficou evidente logo após sua posse, ao escolher um secretariado mais alinhado às suas ideias e propostas, em contraste com a composição do seu primeiro governo.
A Intervenção Militar na Venezuela
No contexto sul-americano, uma das ações mais impactantes foi o rapto do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados aos Estados Unidos para enfrentar acusações de narcoterrorismo e posse de armas, uma medida que fere a legislação internacional. Essa operação marca um inédito movimento militar dos EUA na América do Sul, que não se aventurou a tanto nem durante as intervenções políticas que resultaram em golpes militares, como os de 1964 no Brasil e 1973 no Chile.
Com Maduro e sua esposa aguardando julgamento nos EUA, Trump mantém diálogo com os remanescentes do governo venezuelano, principalmente a atual presidenta interina, Delcy Rodrigues. O foco da ação é o petróleo venezuelano, um recurso que, ironicamente, Trump defende enquanto ignora as campanhas globais de redução da poluição, como as discutidas nas Conferências das Partes (COPs).
Relações com Governos de Esquerda na América do Sul
Apesar das tensões, Brasil, Colômbia e Uruguai, que possuem governos de esquerda, buscam manter boas relações com a administração de Trump, especialmente no que tange a exportações para os EUA. O Brasil, por exemplo, alcançou a liberação de uma ampla lista de produtos que anteriormente enfrentavam sobretaxas. As conversas entre os presidentes Lula e Trump têm se mostrado positivas.
Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro também conversou com Trump, apesar de anteriormente criticar abertamente a postura do mandatário norte-americano, que chegou a classificá-lo como traficante de drogas. Esse cenário ilustra a complexidade das relações diplomáticas contemporâneas.
A Groenlândia no Radar de Trump
Outro ponto de atrito é a Groenlândia, uma região rica em recursos naturais e estrategicamente posicionada. Embora pertença à Dinamarca, sua proximidade com os EUA e as riquezas minerais despertam o interesse de Trump, que já manifestou o desejo de comprá-la. A Dinamarca e os groenlandeses rejeitam essa proposta, assim como os países da União Europeia, enviando forças militares para proteger a ilha.
Intervenções e Conflitos Globais
A Doutrina Monroe, ressuscitada por Trump sob a nova denominação de Doutrina Donroe, reafirma o intervencionismo dos EUA, não apenas nas Américas, mas também no Oriente Médio. O bombardeio recente de instalações nucleares no Irã e o apoio a revoltas populares demonstram o interesse de Trump em influenciar a política interna de outros países, embora esses esforços tenham esbarrado em alianças regionais, como as dos países árabes e de Israel.
Impacto Interno e Conflitos de Imigração
No âmbito interno, Trump continua sua campanha contra a imigração clandestina, resultando em episódios trágicos, como a morte da norte-americana Renee Nicole Good durante uma operação do ICE em Minneapolis. O presidente justificou a ação do policial que disparou, o que gerou protestos massivos em várias cidades americanas, refletindo a controvérsia em torno de suas políticas imigratórias.
O Orçamento Militar e a Competição com a China
Por fim, Trump propôs ao Congresso um orçamento militar de 1,5 trilhões de dólares para 2027, um aumento significativo em relação ao ano anterior. Essa proposta tem como objetivo parte do financiamento oriundo das tarifas de importação, refletindo sua visão de modernizar a frota militar dos EUA para competir com a crescente presença da China no cenário global.

