Debates sobre saúde e políticas públicas marcam o encontro em ano eleitoral
O 18º Congresso Paulista de Saúde Pública, promovido pela Associação Paulista de Saúde Pública (APSP), acontecerá entre os dias 7 e 11 de fevereiro, nas faculdades de Saúde Pública, Enfermagem e Medicina da USP, em São Paulo. Este evento visa reunir profissionais da saúde, acadêmicos e ativistas para discutir questões cruciais que vão desde a descolonialidade até a soberania digital, em um contexto político decisivo para o país.
São Paulo, que abriga mais de 20% da população brasileira, frequentemente se torna um palco de experiências desafiadoras, especialmente no que tange à gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). A APSP, fundada em 1972, busca contribuir para a construção de um futuro mais sustentável e acessível para o SUS paulista, refletindo sobre as complexidades sociais e históricas que influenciam a saúde pública no estado.
A coordenadora da APSP, Tatiana Anéas, compartilhou suas expectativas para o congresso. Segundo ela, o tema escolhido para este ano, “Entre a ancestralidade e a digitalidade: que futuro(s) para o SUS paulista”, destaca a importância de unir elementos que, embora possam parecer opostos, são vitais para a evolução do SUS. “Precisamos considerar tanto a nossa história quanto as inovações tecnológicas para moldar a saúde pública”, afirma a coordenadora.
A APSP pretende explorar como a digitalização do SUS pode oferecer oportunidades de ampliação do acesso à informação e melhorias na gestão do cuidado, enquanto também levanta preocupações sobre os riscos associados à saúde mental e à soberania nacional. “A digitalização não deve ser vista apenas como uma ferramenta, mas como um fenômeno que influencia diretamente a vida das pessoas”, ressalta Tatiana.
Um dos principais tópicos a serem abordados é a precarização do trabalho no SUS, uma questão que afeta diretamente os profissionais de saúde no estado. As Organizações Sociais (OSs), que têm sido amplamente criticadas por fragmentar os serviços e impor condições de trabalho desfavoráveis, serão um dos focos das discussões. Além disso, o aumento da “pejotização” e a precarização dos vínculos trabalhistas são preocupações que devem ser discutidas amplamente durante o evento.
Nos primeiros dois dias do congresso, os participantes poderão participar de oficinas e de um encontro de boas-vindas com uma roda de conversa, que ocorrerá na sede da APSP. A partir da segunda-feira, as atividades se intensificam, contando com conferências e mesas de debate, onde serão abordados temas como Descolonização, Cuidado e Poder Comunitário, Digitalização da Vida, e Políticas e Práticas de Saúde no SUS paulista. A programação completa do evento está disponível no site oficial da APSP.
De acordo com Tatiana, o congresso não se trata apenas de debates, mas é uma oportunidade para que os trabalhadores do SUS compartilhem experiências e se mobilizem em busca de melhorias nas condições de trabalho e atendimento à população. “Esperamos que o evento sirva como uma plataforma para articular propostas que respondam às necessidades urgentes do SUS paulista em um contexto eleitoral complexo”, conclui ela.
O Congresso Paulista de Saúde Pública não só representa um espaço de reflexão sobre o passado e o futuro do SUS, mas também se posiciona como um evento estratégico em um ano de eleições, onde o papel da saúde pública se torna ainda mais relevante nas discussões políticas. O encontro promete unir vozes e forças em prol de um sistema de saúde mais justo e acessível para todos os cidadãos brasileiros.

