Produção ribeirão-pretana conquista Prêmio do Público em festival australiano
O curta-metragem “Tão Eu”, filmado no icônico Theatro Pedro II, em Ribeirão Preto, recebeu o Prêmio do Público Internacional durante um festival de cinema na Austrália. A obra, que conta com a participação de atores com e sem deficiências, destaca as emoções dos intérpretes nos bastidores da clássica peça ‘Romeu e Julieta’.
As pessoas atípicas, neste contexto, são aquelas que apresentam características neurológicas, genéticas ou de desenvolvimento que fogem do padrão comum, enquanto os típicos são aqueles que não possuem essas condições. O curta oferece um olhar sensível sobre as vivências de seus atores, incluindo Ana Luísa Dutra, que tem Síndrome de Down e interpreta a romântica Julieta.
Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, Ana Luísa compartilhou sua ansiedade antes da apresentação. “Eu senti mesmo, de verdade, só um pouco nervosa. Depois que eu comecei, não fiquei mais nervosa. O filme ficou legal, incrível, lindo”, afirmou a atriz, revelando a intensidade do momento.
Por sua vez, Kaique Gomes, que representa Romeu, expressou que a experiência foi transformadora. “É um trabalho que renova todo o nosso sentimento de artista. Nos aproxima de pessoas com uma emoção tão forte e uma autoestima maravilhosa. É como se eu me tornasse outro artista e outro ser humano também”, refletiu o ator.
Roteiro e Direção: Uma Abordagem Inclusiva
O roteiro de “Tão Eu” é de André Cruz, um experiente ator e dramaturgo com mais de 30 anos de trajetória no teatro e audiovisual. Ele revela que a escolha de ‘Romeu e Julieta’ foi uma estratégia para ressoar com o público internacional. “Como eu venho do teatro, pensei em fazer ‘Romeu e Julieta’, que é uma história universal. A ideia foi mostrar a imagem deles fazendo o trabalho e o áudio do que estavam sentindo”, explicou.
A direção do curta é uma parceria entre Alexandre Ocdy e Sheyla Dutra, idealizadora do Projeto FADA – Família, Amigos e Diversidade, que oferece apoio a familiares de pessoas com deficiência desde 2005. Sheyla destaca que o processo criativo se baseou na vivência dos próprios atores. “Desde a elaboração, tudo que é falado no filme saiu do coração e da cabeça deles. As vozes que aparecem ali são deles. Vale muito a pena assistir”, comentou.
Ela acrescenta que o curta é uma ferramenta importante no combate ao capacitismo, enfatizando a necessidade de ampliar oportunidades para jovens com deficiência. “O filme trouxe essa possibilidade, para que eles tenham mais espaço e mais oportunidades”, afirmou.
Impacto do Reconhecimento Internacional
O cineasta Matheus Vieira, também de Ribeirão Preto, acredita que o reconhecimento do curta no exterior pode inspirar novos projetos audiovisuais. “Quando um material desses alcança visibilidade mundial, incentiva outras pessoas a produzirem e outros financiadores a acreditarem nesse tipo de ideia”, disse.
O Focus on Ability Film Festival, que premiou “Tão Eu”, é promovido pela Nova Employment, uma organização australiana que valoriza produções que destacam as habilidades de pessoas com deficiência. A edição de 2025 ocorreu em 16 de novembro, em Sydney, e contou com 283 finalistas de 26 países, com um prêmio total de 100 mil dólares australianos.
Assim, a vitória do curta ribeirão-pretano não apenas celebra a arte, mas também promove uma mensagem de inclusão e valorização da diversidade. O filme é um lembrete poderoso do potencial que cada indivíduo possui e da importância de dar voz a todos os talentos.

