Casos de Complicações em Procedimentos Estéticos
Um laudo pericial emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) constatou lesões corporais graves e deformidade estética permanente na secretária Silva Maria Cândido, de 63 anos. Ela é uma das pacientes que se submeteram a um procedimento estético com a dentista Fernanda Borges da Silva, em Ribeirão Preto, São Paulo. A clínica da profissional está interditada desde setembro do ano passado devido a irregularidades.
No dia 11 de setembro, Silvia passou por um lifting facial e uma cervicoplastia, mas menos de 24 horas depois, teve que ser submetida a uma cirurgia de emergência em virtude de complicações. Além dela, outras quatro mulheres também procuraram a Polícia Civil para relatar problemas sérios após procedimentos realizados por Fernanda.
A EPTV, afiliada da TV Globo, tentou contato com a defesa da dentista, mas não obteve resposta até a publicação deste artigo.
Um Pesadelo Médico
O caso de Silva é especialmente preocupante. Após as complicações, ela ficou em coma induzido e passou mais de dez dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O laudo do IML confirma a gravidade das lesões, resultado do que deveria ser um procedimento simples.
O Conselho Federal de Odontologia (CFO) informou que uma investigação sobre a conduta da dentista está em andamento, mas permanece em sigilo. Karina Ferrão, presidente do Conselho Regional de Odontologia (CRO), destacou que muitos procedimentos estéticos oferecidos por Fernanda não são permitidos para dentistas. “Existem cirurgias descritas em nossa resolução que são autorizadas, como bichectomia e lip lifting, mas lifting facial é vedado”, afirmou.
Complicações e Decisões Dificultosas
Silvia Maria Cândido, que ficou em coma por sete dias após complicações de um procedimento chamado protocolo Livcontour, precisou de cirurgia de emergência devido a um sangramento intenso no pescoço, apenas um dia após os procedimentos estéticos. Ela relatou que a rapidez no atendimento médico foi crucial para sua sobrevivência.
“Se não tivesse chegado rápido, poderia ter sido pior, já estava bastante inchada”, compartilhou a secretária, que já conhecia Fernanda de atendimentos anteriores menos invasivos, como aplicações de botox.
Depois de decidir realizar os procedimentos, Silvia expressou insatisfação com o resultado e, a laudo da dentista, aceitou um ‘retoque’. O que parecia simples logo se transformou em um grave problema.
“Fernanda me disse que seriam apenas quatro pontinhos, algo superficial. Contudo, ao chegar na casa da minha irmã, ela percebeu que eu estava sangrando”, contou Silvia.
Mais Denúncias e Interdição da Clínica
Após o incidente, Silvia procurou a dentista, que minimizou a situação, levando-a a acreditar que estava tudo sob controle. No entanto, na madrugada de 12 de setembro, Silvia enfrentou uma nova emergência médica, com sangramento e dificuldade para respirar. Sem conseguir contatar a dentista, ela se dirigiu a um hospital particular, onde foi submetida a novos exames que indicaram a necessidade de uma cirurgia urgente.
A clínica onde Fernanda atendia, situada no Alto da Boa Vista, foi interditada administrativamente em 24 de setembro. A Vigilância Sanitária apontou diversas irregularidades, incluindo a falta de licença sanitária para o funcionamento das atividades estéticas e descumprimentos nas normas de controle de infecção.
Esse caso levanta um alerta sobre os riscos de procedimentos estéticos realizados por profissionais não habilitados e a importância da regulamentação e fiscalização na área da saúde estética.

