Mudanças Impactantes no Mercado de Trabalho Tecnológico
Em novembro, a Apple surpreendeu o mercado ao realizar demissões em sua equipe de vendas, uma ação inesperada para a gigante da tecnologia. Historicamente, a Apple se destacou por evitar demissões em massa, especialmente em comparação com outras empresas de renome, como Amazon e Meta, que já adotaram essa prática em larga escala.
Os cortes de empregos deixaram colegas e trabalhadores da Apple perplexos, como apontou uma reportagem da Bloomberg, destacando que muitos dos profissionais afetados estavam na empresa há décadas, o que amplifica a sensação de insegurança no ambiente de trabalho.
O cenário de trabalho nos Estados Unidos, especialmente pós-pandemia, passou a ser caracterizado por uma onda de demissões, que agora se estende a diversos setores, incluindo o tecnológico. Um estudo do site Glassdoor revela que 2023 registrou um pico no número de demissões, que se intensificaram em comparação aos anos anteriores.
A indústria de tecnologia, em particular, tem enfrentado uma onda de cortes, resultado de contratações excessivas durante períodos de crescimento, seguidas por mudanças bruscas nas prioridades das empresas, exacerbadas pela rápida evolução da inteligência artificial, que está redefinindo todo o setor.
Desde 2022, mais de 700 mil trabalhadores foram desligados de empresas tecnológicas, conforme o monitor Layoffs.fyi. Enquanto a Apple segue adotando uma abordagem cautelosa, outras grandes companhias, como Google e Microsoft, têm realizado demissões em massa nos últimos três anos, cortando milhares de postos de trabalho.
O Novo Paradigma do Emprego nas Gigantes da Tecnologia
As demissões recorrentes vêm mudando a percepção sobre os empregos em tecnologia, que anteriormente eram vistos como estáveis e desejáveis. Brett Coakley, executivo de coaching da consultoria Close Cohen, ressalta que as demissões foram transformadas de último recurso em uma estratégia comum de planejamento corporativo. “Os colaboradores que acreditavam estar seguros agora percebem que o prestígio da empresa não garante mais a estabilidade que costumavam ter”, diz ele.
Durante anos, as gigantes da tecnologia prometeram salários generosos e benefícios atrativos, mas o que se observa agora é uma mudança significativa nessa narrativa. Demissões frequentes e políticas de retorno ao trabalho presencial, como as implementadas pela Amazon, têm gerado insatisfação entre os trabalhadores, que agora enfrentam exigências como a mudança de cidade.
A ascensão da inteligência artificial também tem influenciado o mercado de trabalho, com algumas empresas fazendo investimentos massivos nessa tecnologia e buscando talentos qualificados. Ao mesmo tempo, novos graduados em ciência da computação encontram dificuldades em assegurar posições de entrada, em parte devido à automação que vem substituindo funções anteriormente ocupadas por humanos.
Na Meta, Mark Zuckerberg indicou que a inteligência artificial pode substituir engenheiros de nível intermediário, enquanto Andy Jassy, CEO da Amazon, afirmou que aqueles que se tornarem proficientes em IA terão um papel crucial na evolução da companhia.
Adaptação e Novas Perspectivas no Setor de Tecnologia
Em meio a essa turbulência, muitos trabalhadores se sentem menos inclinados a investir suas carreiras nas grandes empresas de tecnologia. Alguns profissionais que estão começando a carreira ponderam a possibilidade de se unir a startups ou focar no aprimoramento de habilidades relacionadas à inteligência artificial, na expectativa de que o setor retorne a um ciclo de contratações.
Apesar das dificuldades, o apelo por empregos bem remunerados no setor tecnológico continua forte. Daniel Zhao, economista-chefe e diretor de pesquisa econômica do Glassdoor, salienta que as oportunidades em big techs ainda são vistas como atraentes, embora pareçam cada vez mais distantes para alguns novos profissionais.
A cultura organizacional das grandes empresas também está sob escrutínio. Dados do Glassdoor mostram um aumento significativo nas avaliações nas semanas seguintes aos cortes de pessoal, o que demonstra a preocupação dos colaboradores com o ambiente de trabalho. Muitas empresas tentam minimizar a repercussão negativa das demissões em massa, optando por cortes menores e mais frequentes, mas os funcionários estão atentos às mudanças e buscam maneiras de se preparar para o futuro.
“As pessoas percebem que confiar nas grandes corporações como fonte de estabilidade não é mais viável”, conclui Coakley. À medida que a cultura das big techs se transforma, os trabalhadores também se adaptam, tornando-se mais ousados após os desafios enfrentados nos últimos anos, reconhecendo que as gigantes da tecnologia não são tão diferentes de outras corporações no mercado de trabalho.

