Estudo Revela a Posição de Rio Preto na Demografia Médica
Rodrigo José Ramalho, presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São José do Rio Preto e representante da Regional da Associação Paulista de Medicina (APM), compartilhou insights em entrevista ao Jornal DHoje sobre os dados mais recentes da Demografia Médica do Estado de São Paulo, com previsão para 2026.
O levantamento foi realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em colaboração com a APM e a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), e teve sua divulgação em dezembro de 2025, revelando que Rio Preto ocupa a terceira posição no estado em termos de concentração de profissionais médicos.
Com uma população aproximada de 504 mil habitantes, Rio Preto possui 3.784 médicos, o que resulta em uma proporção de 7,51 médicos para cada grupo de 1.000 habitantes. Este dado é parte de um estudo inovador intitulado ‘Demografia Médica do Estado de São Paulo’ (DMSP) que mapeia as características e tendências da força de trabalho médica nos 17 Departamentos Regionais de Saúde (DRS) do estado. As cidades de Santos e Ribeirão Preto lideram a lista, ocupando, respectivamente, a primeira e a segunda posição.
O Polo de Formação Médica e Seus Desafios
Para Ramalho, a posição de destaque de Rio Preto pode ser atribuída ao fato de a cidade ser um importante polo de formação médica, impulsionado pela presença da Famerp e do Hospital de Base, que é conhecido por sua residência médica. Ele ressalta que quase 55% das vagas de residência no estado estão localizadas em São Paulo, com o Hospital de Base sendo um dos principais ofertantes.
“Teoricamente, os estudantes deveriam retornar para suas regiões de origem após a formação. No entanto, devido à oferta de trabalho e à qualidade de vida que a cidade proporciona, muitos acabam permanecendo em Rio Preto, o que também justifica a alta concentração de médicos”, explica Ramalho.
Ele também observa que o perfil das vagas nos cursos de Medicina é digno de nota: “Estamos atrás apenas da Grande São Paulo e da região de Campinas. Rio Preto é a terceira região com mais vagas, sendo que 92% são oferecidas por instituições privadas”, destaca.
Preocupações com a Abertura de Novos Cursos de Medicina
Entretanto, Ramalho expressa sua preocupação com a abertura indiscriminada de cursos na área da Medicina. “Em dez anos, poderemos ter muito mais médicos do que enfermeiros. Isso levanta questões sobre as condições de trabalho. A maioria desses médicos não terá formação em residência, pois a quantidade de vagas em residência não acompanhou a oferta de cursos”, comenta.
Atualmente, cerca de 60% dos candidatos não passam na prova de residência, levando muitos a se voltarem para especializações Lato sensu, que nem sempre garantem uma formação robusta, colocando em risco a assistência à saúde da população.
O Impacto da OAB dos Médicos
Recentemente, foi aprovada no Senado a OAB dos Médicos, que estabelece uma prova final para a concessão do CRM. Ramalho afirma que essa medida é crucial, mas destaca a necessidade de definir como essa avaliação será realizada. Uma das propostas é a implementação de um exame seriado, a ser aplicado ao final do segundo, quarto e sexto anos do curso, permitindo que o diploma seja concedido com base na soma das notas.
A correção das provas, segundo Ramalho, será feita eletronicamente, utilizando palavras-chave que determinarão a pontuação dos estudantes. “Essa prova é essencial para evitar um aumento na quantidade de médicos com baixa qualidade. O Brasil é o segundo país com mais faculdades de Medicina e carecemos de mestres e doutores capacitados para lecionar em todas elas”, ressalta.
Projeções Futuras para a Demografia Médica
De acordo com o estudo, até o final de 2025, o Estado de São Paulo contará com aproximadamente 197 mil médicos. As projeções indicam um aumento significativo, com estimativas de que esse número chegue a mais de 235 mil em 2030 e a 340 mil ao final da década. Essa rápida expansão fará com que a proporção de médicos por habitantes aumente de quatro para sete em mil até 2035.
No entanto, essa expansão não será uniforme. Enquanto a região de Ribeirão Preto apresenta 5,2 médicos por mil habitantes, a de Registro conta com apenas 2,1. O levantamento também revela que 60% dos médicos em São Paulo, cerca de 117,7 mil, são especialistas, reforçando o estado como um centro de formação e emprego para esses profissionais.
Alterações no Perfil dos Médicos
O panorama médico em São Paulo está em transformação, com as mulheres se tornando a maioria. Em 2025, elas representam 52% do total de médicos, e a projeção aponta que esse número pode chegar a 70% na próxima década. As médicas já dominam 22 das 55 especialidades, com ênfase em áreas como Pediatria, Ginecologia e Medicina de Família.
Essa feminização é um sinal positivo de mudança, mas traz novos desafios, como a necessidade de assegurar que essa maioria seja acompanhada por igualdade em cargos de liderança e condições de trabalho adequadas. A diretora da FMUSP, Profa. Dra. Eloisa Bonfá, enfatiza a importância de garantir essa equidade no ambiente profissional.
Desafios no Setor Privado
A análise sobre a atuação dos cirurgiões em São Paulo destaca a forte atratividade do setor privado, onde 40% da população possui planos de saúde. Os dados mostram que quase 70% dos cirurgiões atuam simultaneamente nos setores público e privado, enquanto 26% estão exclusivamente na rede privada e menos de 7% apenas na rede pública. Esse cenário reduz a disponibilidade de profissionais para aqueles que dependem do SUS, gerando desafios significativos para a saúde pública.

