Desastre em Ribeirão Preto após Chuva Intensa
Dois dias após o desabamento de um muro de uma cooperativa de reciclagem em Ribeirão Preto, SP, os moradores do bairro Branca Salles ainda estão lidando com os danos causados pelo incidente. O temporal, que trouxe mais de 30 milímetros de chuva em menos de meia hora, inundou casas e espalhou lixo pelas ruas do bairro, gerando preocupação e desespero entre os residentes.
Com a água represada dentro da cooperativa, o material armazenado, junto com lama, foi levado com força para as proximidades das casas no último sábado (7). A aposentada Fátima da Silva compartilhou sua experiência: “Entrou bastante [água]. Estourou lá o muro, daí entrou tudo, aquele monte de barro, saco de reciclagem, motor, os carros, veio tudo na minha porta. (…) Foi bem feio, ficou alto mesmo de água”.
As imagens do momento do desabamento foram captadas pelas câmeras de segurança de um bar localizado na esquina da Rua Jorge Teixeira de Andrade. O evento foi descrito por Otávio Augusto de Lima Seminati, coordenador da Defesa Civil da cidade, que explicou que o colapso do muro foi resultado do acúmulo de lixo na área inferior da cooperativa, que causou o represamento de água e, em última instância, o desabamento.
Ações da Defesa Civil e Impactos na Comunidade
A Defesa Civil realizou uma vistoria no local após o incidente e recomendou a remoção de partes do muro que apresentavam riscos de queda, além da construção de uma nova estrutura. Medidas adicionais incluem a retirada de árvores com possibilidade de queda e a transferência do material reciclável para outro centro de coleta da cidade.
O pedreiro Maciel Sacramento de França, que estava em casa durante a chuva intensa, relatou o susto que sentiu com o desabamento: “Esse momento foi uma coisa que nós nem esperávamos. A água sempre vinha normal. Quando o muro caiu, fez esse desastre todo que todo mundo viu”. Ele enfatizou que a prioridade naquele momento foi garantir a segurança da família, destacando que, apesar dos estragos, a vida é o bem mais precioso.
Maciel também mencionou que sua casa foi invadida somente por lama e água, enquanto vizinhos enfrentaram problemas mais graves. “Na minha casa mesmo entrou só lama e água. Ficou tudo na porta o lixo. Mas na casa dos vizinhos do lado daqui entrou lixo, perderam as coisas, comida”, lamentou.
A angústia foi sentida por outros moradores da região. Fátima, uma moradora próxima, recordou o medo que sentiu durante os acontecimentos: “Eu pedi socorro, né? Grudei no rapaz, o inquilino do meu menino, pedi socorro, socorro e chorando de medo”. Ela relatou que uma vizinha perdeu eletrodomésticos e até o colchão por conta da inundação, afirmando: “Acabou. Nem comida, nem colchão pra dormir. A geladeira queimou”. Ela se ofereceu para dividir alimentos com a vizinha em dificuldades.
O cenário de desespero e prejuízo vivido pelos moradores ilustram os riscos que estruturas mal planejadas podem trazer em situações climáticas adversas. A situação em Ribeirão Preto serve como um alerta para a necessidade de medidas preventivas em áreas suscetíveis a alagamentos e deslizamentos.
Reflexão sobre Sustentabilidade e Estruturas Urbanas
Este episódio ressalta a importância de uma gestão eficiente de resíduos e do planejamento urbano em áreas de risco. Com a crescente urbanização, é vital que as cidades adotem práticas sustentáveis que minimizem os riscos de desastres naturais, protegendo assim a vida e o patrimônio dos cidadãos.

