Contratações Insuficientes para Salvar a Educação
No último mês, o Governo do Estado deu um passo importante ao autorizar a contratação de profissionais para a Escola Estadual Jovem Protagonista, que atua no sistema socioeducativo na Capital. A deputada Beatriz Cerqueira (PT), presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), considera essa ação como uma conquista significativa, resultado de uma visita técnica ao Centro de Internação Provisória São Benedito, realizada no dia 9 de fevereiro de 2026.
A deputada liderou uma série de visitas, iniciadas em agosto de 2024, com o objetivo de obter um diagnóstico sobre as condições de trabalho dos educadores e o atendimento aos jovens em conflito com a lei. No entanto, Beatriz expressou sua insatisfação em relação ao número de contratações autorizadas: não há oferta de vagas para professores eventuais e apenas um profissional será designado para atuar como bibliotecário, o que significa que uma única pessoa terá a responsabilidade por cinco unidades da Jovem Protagonista.
Demandas dos Educadores e Estudantes
Outro ponto levantado pela parlamentar e pelos profissionais da educação é a necessidade de um adicional de periculosidade, reflexo da natureza do trabalho desenvolvido. Além disso, os alunos também têm reivindicado melhorias, incluindo materiais escolares de qualidade, como cadernos e lápis. Em visitas anteriores aos Centros Socioeducativos São Jerônimo, Santa Clara e Horto, as condições inadequadas de trabalho e a falta de estrutura foram amplamente discutidas.
Educação Humanizada no Centro São Benedito
No Centro São Benedito, a escola Jovem Protagonista insere um modelo de acompanhamento pedagógico que inclui oficinas de português e matemática para os jovens que estão em internação provisória, que dura no máximo 45 dias, enquanto aguardam o julgamento. Durante a última visita, 11 adolescentes participaram das atividades em duas turmas, número que varia frequentemente devido à rotatividade dos internos.
Com capacidade para atender até 33 alunos, a unidade conta atualmente com dois professores dedicados, uma especialista em educação básica e uma auxiliar de serviços, todos designados pela Secretaria de Estado de Educação. A professora Lucitana Rodrigues, que atua no sistema socioeducativo há sete anos, enfatizou a importância de uma proposta de educação diferenciada e humanizada na Jovem Protagonista, onde os educadores se empenham no acolhimento dos jovens em conflito com a lei.
“Acredito na mudança. Já encontrei ex-alunos na rua, trabalhando, felizes. São meninos com grande defasagem escolar, que precisam do nosso apoio”, destacou Lucitana. Porém, ela também ressaltou que a falta de recursos compromete a realização de atividades lúdicas e atraentes. Essas ferramentas são fundamentais para manter o engajamento dos alunos e evitar a dispersão durante as aulas.

